A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE NO VÔO 402 DA TAM

O ACIDENTE


03/10/2006


Quem derrubou o Fokker da TAM?

Engenheiro diz que foram os pilotos

O professor de Engenharia aposentado Fernando Lobo Vaz de Mello perdeu um filho, também engenheiro, de 27 anos, no vôo 402 da TAM que caiu em São Paulo em 31 de outubro de 1996. Nunca se conformou com a conclusão de que o avião foi derrubado por um relé defeituoso que acionou a reversão de uma turbina na hora da decolagem. Pesquisou os relatórios oficiais sobre o acidente (recorreu à Justiça para obter uma cópia, censurada pelas autoridades) e chegou à conclusão de que o Fokker da TAM teria subido se os pilotos tivessem seguido o manual.

O professor Mello publicou um artigo de oito parágrafos no Jornal do Brasil, em 12/7. Seus pontos mais importantes: “Após uma pesquisa detalhada desse documento, obteve-se um conjunto de dados que mostra o que realmente aconteceu no vôo 402 e que ultrapassa a meia verdade de um simples relé defeituoso. Durante a operação de taxiamento do vôo 402, a aeronave emitiu dois alarmes sonoros indicativos de problemas, ignorados pela tripulação, o mesmo acontecendo quando pela terceira vez soou um alarme na cabine, durante o início da corrida de decolagem. Caso a tripulação tivesse considerado quaisquer desses alarmes, teria condição de retornar e estacionar a aeronave com segurança. Imediatamente após a decolagem, o relé defeituoso causou uma abertura do reverso do motor direito. Essa anomalia e os procedimentos que a aeronave executa automaticamente para contorná-la, permitindo que o vôo prossiga em segurança, constam no seu manual de operação.

Quando o reverso é inadvertidamente aberto em vôo, a potência do respectivo motor é automaticamente cortada, ficando disponível para a sua operação outro motor, que é suficiente para um vôo seguro, mesmo durante a decolagem.

Contrariando a recomendação de que as ações corretivas de vôo só devem ser tomadas acima de 1000 pés de altura, a tripulação tentou pretensamente solucionar a anomalia causada pela abertura do reverso do motor direito, que não foi por ela reconhecida, abaixo de 1000 pés de altura. A altura máxima atingida durante o vôo 402 foi cerca de 200 pés. A tripulação, para eliminar a ação do travamento automático da alavanca de aceleração do motor defeituoso, forçou essa alavanca três vezes, terminando por romper seu acionamento. Paralelamente à ruptura do cabo, um dos tripulantes diminuiu de maneira inconseqüente a potência do motor esquerdo, o único então em operação normal. O desconhecimento da tripulação sobre o que ocorria culminou na perda de controle da aeronave.”

Nenhum jornal se interessou pelas conclusões do engenheiro.


©Instituto Gutenberg
Boletim Nº 34 Série eletrônica

Escrito por Jorge Tadeu às 15h03
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28/09/2006


Dez perguntas sem resposta

Dez perguntas sem resposta

1 - Não houve falta de coordenação na cabine - um tripulante deveria concluir a decolagem e o outro tentar resolver o problema?
2 - A falta de coordenação não foi gerada por falha no treinamento, a cargo da TAM?
3 - As regras aeronáuticas não obrigam o piloto a só tentar corrigir falhas no avião após atingir 300 metros de altitude?
4 - O trem de pouso não deveria ter sido recolhido, para que o avião ganhasse velocidade e concluísse a decolagem?
5 - Onde foi parar a folha do livro de bordo do avião, que usualmente é destacada em Congonhas, mas que a TAM alega que queimou no acidente?
6 - A TAM foi punida pelo fato de todos os seus pilotos terem voado mais do que o permitido pela legislação nos doze meses anteriores ao acidente?
7 - Por que a comissão de investigação não ouviu testemunha que disse ter ouvido barulho estranho no avião quando saiu de Caxias (RS)?
8 - A autoridade aeronáutica holandesa falhou no controle de qualidade do Fokker-100?
9 - Por que a Aeronáutica se negou a fornecer a transcrição da conversa entre os pilotos, apesar das ordens da Justiça?
10 - Por que o STJ ainda não publicou decisão que obriga a Aeronáutica a fornecer dados sobre o acidente aos parentes das vítimas?

Escrito por Jorge Tadeu às 16h31
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27/09/2006


O que ocorreu com o vôo 402

São Paulo, sábado, 13 de dezembro de 1997.

O que ocorreu com o vôo 402

8:00 hs

. Defeito

Os problemas começam no pouso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Os dados da caixa-preta indicam que o reverso - mecanismo que inverte o sentido do jato da turbina para a frente, dando efeito de marcha à ré  do motor direito permaneceu ''em trânsito'', ou seja, não ficou travado.

. Reação da tripulação

Nem os tripulantes que trouxeram o avião a São Paulo nem os que decolaram de Congonhas tomaram atitudes, porque a aeronave não deu alerta do defeito. Os técnicos de manutenção também não detectaram o problema, porque a manutenção feita em escala de vôo não previa checagem das travas.

. Interpretação da comissão

A trava elétrica do reverso falhou, por causas indeterminadas, que podem até incluir efeitos da trepidação da aeronave. O projeto também contribuiu para a falha, porque a posição da trava dificulta a manutenção.

8:26 hs

. Defeito

Com 89 passageiros e seis tripulantes a bordo, o avião começa a correr pela pista para a decolagem. Ainda no chão, dispara um alarme da cabine indicando falha no sistema que acelera automaticamente o avião (ATS).

. Reação da tripulação

Os tripulantes ignoram o alarme, que volta a tocar depois. Eles tinham sido informados pelo piloto que voara anteriormente que o sistema estava com defeito.

. Interpretação da comissão

A falha de ATS causou nos pilotos uma ilusão de que havia uma falha ali, o que contribuiu para o acidente.

Início do vôo

. Defeito

No exato instante em que o avião sai do chão, o reverso da turbina direita se abre e inverte a propulsão daquele motor para trás, como uma marcha à ré. Na cabine, o painel não dá nenhum sinal de alarme, mas o manete de aceleração do motor recua violentamente, puxado por um sistema de cabos de segurança ligado ao reverso. O sistema serve para evitar que o reverso fique aberto com o motor acelerado.

. Reação da tripulação

O co-piloto diz ''Travou!'', surpreso. Imaginando estar diante de uma falha de aceleração automática (ATS), diz ao co-piloto para desligar o ATS. O co-piloto confirma ter desligado o sistema.

. Interpretação da comissão

a - A Fokker introduziu uma modificação no sistema elétrico de abertura do reverso que o tornou menos seguro. A mudança objetivava economizar alguns segundos na duração da bateria no caso de uma pane elétrica em vôo. Antes, a chance de esse tipo de falha ocorrer era de uma em 100 bilhões. Depois, passou a ser uma em 1 milhão.
b - O projeto do avião contribuiu para o ocorrido porque não permite que o piloto saiba, durante a decolagem, que o reverso está aberto.
c - A surpresa demonstrada pelos tripulantes desviou sua atenção e contribuiu para o acidente.

10 segundos seguintes

. Defeito

O defeito é cíclico. O reverso se fecha, mas volta a abrir outras duas vezes em 10 segundos. Quando fechado, permite que o manete possa ser levado à frente. no momento em que o reverso se abre, o manete volta a ser recuado e permanece travado. O avião estava a 129 pés.

. Reação da tripulação

Os tripulantes aceleram a turbina direita sempre que o equipamento permite. Na segunda vez em que o manete direito recua, a mão do tripulante traz junto o manete do motor esquerdo. Por quatro segundos, os dois motores ficam com aceleração mínima. Quando o manete está travado, a força exercida pelo piloto ou pelo co-piloto sobre ele chega a ser de 50 kg.

. Interpretação da comissão

A ação dos tripulantes sobre o manete contribuiu para o acidente por duas razões:
a - A legislação brasileira não recomenda qualquer ação de tripulação frente a qualquer anormalidade, na cabine de vôo, quando a aeronave estiver a menos de 400 pés de altura.
b - Os tripulantes decidiram acelerar o motor direito quando o manete destravou, sem que o avião tenha fornecido a eles meios para que avaliassem o resultado dessa atitude.

15 segundos de vôo

. Defeito

O sistema de cabos de segurança que evita a abertura do reverso com o motor acelerado cede. O manete de aceleração da turbina direita é liberado, embora o reverso permaneça aberto. O defeito desestabiliza por completo a aeronave.

. Reação da tripulação

A tripulação mantém a carga sobre o manete e o leva à frente (acelerando o motor) no momento em que ele fica livre.

. Interpretação da comissão

Houve falha no desenho do sistema. O cabo corre em um tubo, em que existe uma lacuna, deixada para manutenção. Foi nesse ponto em que a conexão do cabo cedeu à carga e desencaixou-se.

24 segundos de vôo

. Defeito

O avião, impulsionado para a frente pelo motor esquerdo, e para trás pela turbina direita, tomba para a direita e cai sobre casas, matando todos a bordo e quatro pessoas em terra.

O Relatório demorou 406 dias para ser concluído. Houve vários adiamentos no prazo.
A Comissão teve 11 membros integrantes, 11 deles pertencentes a empresas envolvidas. Não havia representante das vítimas.

Escrito por Jorge Tadeu às 02h26
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''Meu Deus'' foi a última frase

São Paulo, sexta, 12 de dezembro de 1997.

''Meu Deus'' foi a última frase

do enviado especial

O ponto alto da apresentação do laudo final sobre a queda do Fokker-100, ontem em Brasília, foi a exibição de uma animação computadorizada com imagem do avião da decolagem até a queda.
A sequência foi apresentada com o som real da cabine, gravado na caixa-preta do avião.
A animação mostra todos os aspectos do avião: a corrida pela pista, a queda de potência do motor direito, a troca de informações entre piloto e co-piloto, as tentativas de retomada de potência, o momento de desestabilização total e a última frase.
''Ai, meu Deus. Meu Deus'', diz a voz, provavelmente do comandante José Roberto Moreno.
Durante a corrida pela pista, Moreno pode ser ouvido pedindo ao co-piloto que desligue o sistema automático de aceleração.

Falha da tripulação

Depois de 406 dias do acidente, os oficiais da Aeronáutica procuraram esmiuçar dúvidas técnicas, mas evitaram discutir o mérito de algumas interpretações.
Se por um lado houve disposição para explicar todo o caminho da falha no sistema elétrico da aeronave, inclusive com diagramas dos circuitos, os oficiais responsáveis pela investigação foram breves, por exemplo, ao comentar por que não foram apontadas falhas da tripulação, uma vez que piloto e co-piloto teriam desrespeitado a legislação aérea brasileira, ao tentar resolver problema de decolagem a menos de 400 pés de altura.

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Clique aqui e veja a simulação e o áudio real.

Escrito por Jorge Tadeu às 02h02
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22/09/2006


Dez segundos de terror

 13 de novembro de 1996

Dez segundos de terror
Investigação reconstitui a queda do Fokker 100 e determina alteração no projeto do avião holandês

NORTON GODOY

Quando o Fokker 100 atingiu a velocidade de 190 km por hora, o co-piloto puxou gentilmente o manche do avião em direção ao seu peito. O nariz da aeronave levantou apontando para o céu, as rodas despregando da pista a 220 km por hora. Uma campainha disparou na cabine. A luz vermelha de alerta piscava insistentemente no painel onde se lia "reverse deploited´´. Era o aviso de que o reverso, o freio aerodinâmico do motor direito, havia aberto. O co-piloto, que já havia experimentado a situação nos simuladores, nem pediu socorro ao piloto. Sua reação foi imediata. Cortou a potência desse motor e manteve o esquerdo acelerado. O Fokker 100 continuou ganhando altura. Com o avião estabilizado, o comandante comunicou o ocorrido à torre do aeroporto. Pediu permissão para aterrissar em caráter de emergência e voltou ao solo menos de 15 minutos depois. Alguns passageiros reclamaram do contratempo e foram todos embarcados em outro avião da companhia. A história do vôo 402 só não transcorreu dessa maneira porque faltou o alarme e a luz vermelha no painel.

Ela não existe nos modelos 100 da Fokker, mas faz parte do sistema de segurança de outros aviões, como os da Boeing por exemplo. Os membros do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão do governo que investiga a tragédia) chegaram à conclusão de que uma falha de projeto foi determinante na queda do avião que fazia o vôo 402. Apesar de ser considerada uma das aeronaves mais seguras do mundo, seus projetistas não previram a possibilidade de o reverso do motor - o freio aerodinâmico que ajuda a parar o avião durante o pouso - abrir na decolagem, antes de o aparelho atingir os mil pés de altura (cerca de 330 metros). "É uma possibilidade em um milhão", afirmou a ISTOÉ um dos especialistas que investigam o acidente. A partir de agora, todos os Fokker terão de ter este dispositivo de segurança. É a primeira consequência prática para se evitar que a repetição da tragédia no vôo 506, novo número do extinto 402. A possibilidade em um milhão aconteceu na manhã de 31 de outubro no Aeroporto de Congonhas em São Paulo. Entre a abertura do reverso e a queda que matou 98 pessoas foram apenas dez segundos. Acompanhe a tragédia segundo a segundo.

10 - Uma falha mecânica libera a pressão no sistema hidráulico que mantinha o reverso do motor direito fechado. O Fokker 100 está na mão do co-piloto Ricardo Gomes Martins, que cumpria parte de seu treinamento.

9 - Com o reverso aberto, o fluxo de ar espelido pela turbina é direcionado para a frente, invertendo a ação do motor direito. A ação de duas forças contrárias faz o avião se inclinar levemente para a direita. O desastre vai começar.

8 - O auto-throttle (parte do piloto automático) reage automaticamente à pane, reduzindo o manete de velocidade do motor direito para a posição "idle", o ponto morto do avião. Mantido dessa forma, o co-piloto poderia ter ganhado tempo para cortar a turbina defeituosa, retomando então a rota correta e completando a decolagem apenas com o motor esquerdo.

7 - O movimento do manete chama a atenção do piloto José Antônio Moreno. Só três segundos depois da pane, ele percebeu que alguma coisa estava errada. Não há nenhuma indicação do tipo de problema. Moreno foi levado a crer numa falha no auto-throttle. O avião começa a guinar para a direita. Os passageiros mais atentos se assustam com o barulho causado pelo reverso aberto.

6 - O piloto assume o comando e pede ao co-piloto que desligue o auto-throttle. "Em cima, em cima", diz Moreno. A frase foi gravada na caixa preta. Moreno se refere ao botão que desliga o sistema automático. Ricardo Martins cumpre a ordem. O manete que acelera a turbina direita fica liberado para ser operado manualmente. A tragédia vai se acelerar.

5 - O avião se inclina um pouco mais para direita. O piloto pega no manete do motor direito e o empurra para frente. O Fokker 100 dá uma espécie de "cavalo de pau" em pleno ar.

4 - Por causa da abertura do reverso, a aceleração da turbina na potência máxima acentua a queda em curva para a direita. O avião vai perder sustentação. Não existe mais retorno. A queda é inevitável. Os passageiros começam a gritar.

3 - O monitor do computador de bordo emite um alerta gravado: "Don't sink, don't sink", diz uma metálica voz masculina. Ela é acionada quando os instrumentos indicam que o avião está "em mergulho". O piloto ainda gira o manche para a esquerda e o puxa todo para trás tentando compensar a queda para a direita. Os flaps das asas são movimentados.

2 - A ponta da asa direita bate no telhado de um prédio. "Meu Deus, meu Deus", grita o piloto. O chão se aproxima rapidamente. As cadeiras dos passageiros saem do lugar. Os de trás vão esmagar os da frente.

1 - O avião está caindo de bico. Faltou pouco para que capotasse totalmente. As cadeiras vão se imprensando em direção à cabine. Em milésimos de segundo, os passageiros morrem esmagados pelos que vem de trás. Praticamente todos tiveram a coluna vertebral quebrada. Sob o impacto de um choque a mais de 280 quilômetros por hora, a morte é instantânea e sem dor.

0 - O querosene do Fokker 100 pega fogo. As labaredas se espalham pela rua Luís Orsini de Castro. O pedreiro Tadao Funada morre queimado segundos antes de despencar do segundo andar do prédio em que trabalhava. Os destroços derrubam totalmente oito casas. Numa delas, uma parede cai sobre o professor de matemática Jorge Tadeu da Silva. Se não tivesse caído de bico, o avião teria deixado um rastro de destruição incomparavelmente maior. (nesta matéria a Isto É me matou. Na realidade quem faleceu foi meu vizinho, o professor Marcos Antônio Oliveira).

Escrito por Jorge Tadeu às 15h54
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A Caixa-Preta

Caixa-Preta

Veja no YouTube imagem do simulador da TAM e o áudio da caixa-preta

Clique AQUI

Ouça no Rádio Jovem Pan AM o áudio da caixa-preta:

Clique AQUI

Escrito por Jorge Tadeu às 15h46
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Caixa-preta revela momentos de horror

 

Tragédia no
Vôo 402

Caixa-preta revela momentos de horror


Polícia suspeita de falha mecânica. Investigação da Aeronáutica pode estar pronta em 60 dias

Brasil Online 2/11/96 18h11
De São Paulo

A caixa-preta com as conversas da cabine do vôo 402 da TAM indica que os momentos anteriores ao desastre foram de horror. Mostram o desespero do piloto ao saber que ia morrer. 'Os sons estavam com muitos ruídos, mas nós, que somos pilotos, conseguimos compreender algumas coisas que o comandante do vôo falou. É uma coisa horrível, pois ele sabe que vai morrer e não quer morrer', disse o tenente-coronel Flávio Lucio Sganzerla, do 4º Comando Aérea Regional. Ele não revelou o teor das frases.

O F-100 da TAM que caiu na quinta passada em cima de casas no Jabaquara (zona sul de São Paulo), matando 102 pessoas, possuía duas caixas-pretas. Elas, as turbinas e os flaps (parte das asas) são as partes mais importantes da aeronave para determinar a causa da queda.

A caixa com os diálogos entres os tripulantes foi aberta na noite de sexta-feira, mas as gravações estavam quase inaudíveis. Luiz Eduardo Falco, 36, vice-presidente da TAM, que também ouviu a gravação, afirma que José Antônio Moreno 'foi um grande comandante até o chão'.

Na noite de sexta-feira, o programa Globo Repórter, da Rede Globo, divulgou parte do conteúdo da caixa-preta, com a gravação dos últimos contatos da tripulação com a torre. Segundo o programa, o piloto José Antônio Moreno avisou à torre que o avião estava em pane e disse: "Vou retornar". Segundos depois, o piloto avisou: "Estou livrando a escola".  Mentira !

A caixa-preta com as conversas da cabine é uma espécie de gravador cuja fita roda sem fim. Ela grava sempre os últimos 30 minutos de diálogos na cabine. Essa caixa-preta e uma outra, a Fly Data Record, que grava 76 informações técnicas do vôo, foram enviadas aos Estados Unidos, onde serão examinadas pelo National Transportation Saved Board, órgão que cuida da segurança de todos os meios de transporte nos Estados Unidos. A decodificação das duas caixas deve estar pronta até terça-feira.

A comissão da Aeronáutica que investiga o acidente praticamente descarta a possibilidade de uma falha provocada por aparelho celular. 'Esse acidente não foi parte eletrônica, foi de motor', disse Sganzerla. Os dados técnicos recolhidos das caixas-pretas serão colocados em um simulador de vôo que vai repetir as condições do vôo 402 para verificar se com aqueles indicadores (velocidade, potência, altitude, inclinação) provocaria a queda.

A suposta falha mecânica que causou a tragédia no vôo 402 da TAM vai virar objeto de estudo de todos os pilotos de Fokker-100 dentro de três meses. A informação é do comandante da TAM Mário Roberto Gnecco, 39, piloto comercial com 17 mil horas de vôo. Dentro de três meses, afirmou, a FAB (Força Aérea Brasileira) deverá emitir um vasto relatório/auditoria sobre as causas do acidente no vôo 402.  Não saiu nos três meses...

Escrito por Jorge Tadeu às 15h45
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Relatório da Aeronáutica deve sair em 90 dias

 

Tragédia no
Vôo 402

AJB 31/10 19h54
De Brasília

O Centro de Comunicação Social do Ministério da Aeronáutica convocou nesta quinta-feira (31), às 17h, entrevista coletiva com a imprensa para prestar mais esclarecimentos sobre o acidente envolvendo o Fokker 100 da TAM. No entanto, o chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo, coronel-aviador Ney Antunes Cerqueira, limitou-se a ler uma nota oficial lamentando o desastre.

A única informação extra, divulgada pelo coronel, foi de que a aeronave saiu do Aeroporto de Congonhas, que fica numa altura de 2,6 mil pés (equivalente a 750 metros), subiu até 2,7 mil pés (780 metros) e depois começou a cair. Ou seja, só atingiu uma altitude de 30 metros, antes de iniciar a queda. O local do acidente, no Jabaquara, fica num vale, a aproximadamente 700 metros acima do nível do mar.

O chefe do SRPV afirmou que não sabe informar detalhes da investigação das causas do acidente, mas garantiu que a Aeronáutica já está apurando o caso. As duas caixas pretas do avião foram recolhidas no local da queda da aeronave e serão periciadas por especialistas do ministério. O coronel acrescentou que ainda não foi feita a desgravação da conversa entre a torre de controle de Congonhas e o piloto do Fokker 100. "É muito cedo para qualquer informação. Tudo o que for dito será apenas conjectura", afirmou.

A íntegra da nota oficial do Ministério da Aeronáutica diz:

"O Ministério da Aeronáutica lamenta informar o acidente ocorrido hoje, dia 31 de outubro de 1996, por volta de 8h25, na cidade de São Paulo - SP, com uma aeronave Fokker 100 da TAM, matrícula PT-MRK.

"A aeronave decolou do Aeroporto de Congonhas com destino ao Rio de Janeiro. Realizava o vôo 402, com seis tripulantes e 89 passageiros, quando bateu no solo, logo após a decolagem, sobre a Vila Santa Catarina.

"O Ministério da Aeronáutica já deu início às investigações para apurar os fatores que contribuíram para o acidente, devendo se manifestar somente ao final dos trabalhos de investigação, que deve demorar cerca de 90 dias."

Como veremos em outras matérias, esse prazo se estendeu por mais de um ano. Talvez o atraso possa ter ocorrido ao enviarem os peritos a Vila Santa Catarina e não ao Jabaquara...

Escrito por Jorge Tadeu às 14h46
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NOTA OFICIAL DA TAM

Nota oficial da TAM

31/10 20h42

"A TAM, profundamente consternada, cumpre com o triste dever de informar que, às 8h30min de hoje, dia 31 de outubro de 1996, ocorreu, lamentavelmente, um grave acidente com uma de suas aeronaves Fokker - 100, de prefixo PT - MRK, provocando, infelizmente, a morte de todos os seus 90 passageiros e de seus 6 tripulantes, e vitimando, fatalmente, de acordo com informações até o momento confirmadas, 9 pessoas no solo.

"O trágico acidente ocorreu quando a aeronave se encontrava em operação de decolagem da pista 17 R do Aeroporto de Congonhas, desta Capital, para realizar o vôo nº 402 desta Empresa, com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

"Em obediência ao que dispõem as instruções e regulamentos aeronáuticos, esta Empresa colocou, imediatamente, todos os instrumentos de controle e registro de vôos dos tripulantes e da aeronave à disposição dos inspetores e oficiais do Sipaer - Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos do Ministério da Aeronáutica, e aguardará a emissão, dentro dos próximos 30 dias, do relatório oficial com os resultados e os laudos conclusivos da investigação, que será efetuada integralmente pelo Sipaer e pelos demais Órgãos que tratam desse tipo de ocorrência naquele Ministério.

"Neste doloroso momento, a TAM se sente na inadiável obrigação de declarar que está prestando todo e qualquer apoio possível aos familiares e amigos de todas as lamentáveis vítimas, e a todos assistirá, em tudo que necessário for, para aliviar a irreparável dor e o trauma impostos por esse funesto acidente.

"A TAM informa, também, que a tripulação técnica da aeronave era composta de 2 (dois) experientes pilotos, que desfrutavam de todas as condições técnicas, e de plena e irrestrita habilitação para a operação da aeronave acidentada, e informa ainda que, sobre a mesma aeronave, não havia, absolutamente, registro precedente de indicação de qualquer defeito técnico.

"Ao mesmo tempo, todo o quadro de funcionários, colaboradores e dirigentes da TAM agradece, com emoção, as manifestações de solidariedade que se está recebendo de toda a parte."

"A diretoria"

 

"...todo e qualquer apoio possível..." ??? Então não foi possível, pois tal apoio não aconteceu.

Escrito por Jorge Tadeu às 14h36
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A TRAGÉDIA DO VÔO 402 - II

O piloto de uma aeronave, quando se vê diante de um problema, deve seguir uma série de atitudes conjuntas, ou seja um procedimento de emergência. Toda aeronave tem uma série de procedimentos de emergência, que vão desde uma simples pane em um dos instrumentos até a uma grave pane de um motor. Grande parte dos Pilotos dos Fokker 100 da TAM já pilotaram os Boeing 737, logo sentiram falta de um procedimento, justamente o procedimento para abertura do reversor durante a decolagem. Procedimento que existe nos Boeing 737. Na procura de maior segurança os Pilotos da TAM, reivindicaram o procedimento à companhia a qual entrou em contato com o fabricante do aparelho a Fokker. A Fokker então informou à TAM que não existia tal procedimento porque foi constatado através de cálculos matemáticos que era simplesmente IMPOSSÍVEL a abertura do reversor durante a decolagem.
Logo esta teoria fora descartada. Ao mesmo tempo não se conseguia encontrar um explicação lógica para o acidente. Foi quando o Mecânico da Líder Táxi Aéreo, Antônio Bueno, disse a ultima coisa que se esperava ouvir. Ele viu o reversor direito abrir e fechar por diversas vezes durante a decolagem. A noticia caiu como uma bomba, o IMPOSSÍVEL havia ocorrido.

 O mecânico Antonio Bueno

O acidente foi totalmente negativo para Congonhas, a população voltou a declarar sua insatisfação do seu vizinho importuno, a imprensa dava explicações totalmente errôneas. 

As investigações levaram mais de um ano, e em 11 de Dezembro de 1997 o Ministério da Aeronáutica divulgou o Laudo Oficial. Uma seqüência de falhas operacionais e nos equipamentos foi a causa da queda.
Tudo começou quando a Fokker recomendou uma alteração no sistema de alimentação elétrica dos reversores para economizar energia. A TAM seguiu esta recomendação e fez as modificações em suas aeronaves incluindo o MRK.

A análise da caixa-preta mostrou que após o MRK aterrissar em Congonhas (procedente de Caxias do Sul) um relê que comanda a abertura do reversor direito continuou energizado, apesar do piloto ter comandado o seu fechamento, o que levou uma válvula hidráulica a deixar as conchas do reversor destravadas. No momento da decolagem este mesmo relê determinou a abertura do reversor, em contrapartida um outro relê (este em perfeita ordem) comandava o fechamento. O sistema elétrico acabou "ciclando" e as conchas do reversor abriram e fecharam ininterruptamente, até o teleflex (braço que move as conchas) não suportar mais a pressão do ar e se romper deixando as conchas do reversor abertas definitivamente.

A manual do Fokker 100 estipula que a tripulação não deve tomar nenhuma atitude de emergência quando o aparelho está abaixo de 400 pés, pois dispositivos automáticos corrigem o problema. Essa regra foi desrespeitada pois uns dos tripulante forçou o manéte (controle manual de aceleração) por três vezes. Em uma das ocasiões ele chegou há aplicar a incrível força equivalente ao peso de 50 quilos sobre a manéte. Porém em nenhum momento o relatório usa a expressão falha humana, e como até o acidente não havia treinamento específico para o caso, os peritos afirmam que a situação era inédita.
Simulações foram incluídas no treinamento de pilotos e a operação da aeronave foi modificada, por recomendação da Fokker.

Fonte: Homepage do Aeroporto Internacional de Congonhas

Escrito por Jorge Tadeu às 14h29
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PERSONAGENS DA TRAGÉDIA I

Personagens da Tragédia 1

 Personagens da tragédia  6 de novembro de 1996
O drama das vítimas, a consternação das testemunhas e a alegria de quem escapou

A DOR

O adeus da loba
REGINA LEMOS VALÉRIO
jornalista, 46 anos

Ela andava exultante nos últimos dias. A uma das suas amigas mais íntimas, disse que "estava começando a viver de novo". A jornalista carioca Regina Lemos Valério, 46 anos, se referia à superação de uma grande tragédia pessoal. Em junho de 1994, seu terceiro marido, o publicitário Antônio Carlos Patrício Valério, então com 33 anos, foi morto estupidamente por um tiro do estudante Clibas Cortez numa lanchonete de São Paulo. O pecado de Tonhão, como era mais conhecido, foi tentar apartar uma briga de adolescentes. A perda fez com que Regina se mobilizasse numa bem-articulada campanha pelo desarmamento da população civil, que chegou à televisão. A disposição com que abraçou a causa confirmava seu espírito guerreiro. Sua mais recente empreitada era o bem-sucedido projeto da revista Mais vida, publicada pela editora de ISTOÉ. O final de semana seria de muito trabalho, até seu retorno a São Paulo, programado para segunda-feira. No Rio de Janeiro coordenaria a sessão de fotos para uma matéria sobre caminhadas à beira-mar. Regina se dedicava a um projeto de vida, o de elevar a auto-estima da mulher de meia idade. Ultimamente, além do trabalho, outro motivo de alegria era a notícia de que seria avó pela segunda vez. Regina viajou sozinha, embora pudesse ter a companhia de uma colega da revista Mais vida, a editora assistente de beleza, Katia Del Bianco, que só conseguiu passagem para o vôo das 12h03. Foi o último vôo da loba.

Caminhos cruzados
RONALDO JENKINS DE LEMOS
coronel-aviador, 51 anos

Menos de meia hora depois de o Fokker 100 cair, Ronaldo Jenkins de Lemos foi convocado no Rio pelo representante da resseguradora britânica Lloyds para investigar o acidente. Coronel-aviador na reserva desde 1991, Lemos comandou por 15 anos a Divisão de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos da Aeronáutica e hoje é dono de uma empresa do ramo. Uma hora e meia depois, Lemos desistiu de assumir a investigação. Soube que sua irmã, a jornalista Regina Lemos, estava entre as vítimas. A trágica coincidência também ocorreu com a psicóloga Cristina Secchin, que deu assistência a tripulantes da TAM que fariam vôos posteriores ao acidente. Cristina era prima de Regina.

A ironia do herdeiro
ERNESTO IGEL
estudante, 28 anos

Filho do milionário Pery Igel, dono do Grupo Ultra, o jovem Ernesto Igel gostava de aventuras. Certa vez, cruzou as Américas a bordo de uma moto - de Nova York a São Paulo. Quando embarcava, porém, num avião da TAM, ele se sentia orgulhoso. Afinal, foi seu pai quem emprestou dinheiro para que o amigo da família Comandante Rolim comprasse o primeiro avião de sua frota.

Triste acaso
FLÁVIA F. FERNANDES
comissária de bordo, 22 anos

Foto: CAROL QUINTANILHA 
 

A aeromoça Flávia Fernandes não estava escalada para o vôo 402. Na verdade, deveria voar para Brasília, e não para o Rio de Janeiro. "Ou alguém passou mal ou faltou. Caso contrário, ela não teria entrado no avião", contou a tia, Alice. Há seis meses, Flávia havia passado por um susto. Ela foi refém durante um assalto a um avião da TAM ocorrido em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e passou momentos difíceis sob a mira de metralhadoras. Flávia era jovem e bonita. Adorava se arrumar e pensava em se casar.

O prejuízo da seguradora
Foi um dia incomum na sede administrativa do Unibanco, em São Paulo. Oito executivos da instituição financeira haviam embarcado no vôo 402 rumo ao Rio de Janeiro. Eles tinham compromissos variados, em diferentes lugares da capital carioca. Às duas horas da tarde, a assessoria de imprensa ainda fazia uma triagem em todos os departamentos do banco para saber se mais alguém, além dos profissionais mencionados na lista da TAM, estava no avião. O saldo final confirmado pelo Unibanco foram os oito mortos. Aluisio Calil Mathias estava entre eles. Aos 28 anos de idade, Mathias ocupava a superintendência de Corporate Internacional do Unibanco. "Ele estava vivendo o melhor momento da carreira", contou o amigo Amizaque Catonho, que correu para o IML assim que soube do acidente. Outras vítimas foram Marcelo Ferrão, 28 anos, gerente da Unibanco Assets Management; Ariovaldo Riccioli, gerente de finanças e investimento; Carlos Mario Fournier Vieira, superintendente de finanças e investimento; Cristiano Gusmão Neto, superintendente de Corporate Internacional; Luiz Claudio Tamiello, assessor jurídico; Marcos Aurélio Rios e Marilene Gimenez Haddad, ambos gerentes da Unibanco Assets Management. Melhor sorte teve Armando Gonçalves, gerente do setor de macroeconomia do banco. Na quarta-feira 30, véspera do acidente, ele tentou uma reserva no vôo, mas não conseguiu. Para não ficar na lista de espera, decidiu seguir o caminho convencional da ponte aérea. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, descobriu que nascera novamente. Como se não bastasse, o Unibanco responde por todos os seguros da companhia aérea e deverá bancar todos os prejuízos da tragédia.

Escrito por Jorge Tadeu às 13h57
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PERSONAGENS DA TRAGÉDIA II

"Papai não volta"
ARIOVALDO RICCIOLI
executivo, 32 anos


Foto: ÁLBUM DE FAMÍLIA 



Gerente de finanças e investimento do Unibanco, casado com Eliane e pai das meninas Gabriela, de dois anos e meio, e Isabela, de três meses, Ariovaldo Riccioli viajava com frequência ao Rio a negócios. Na manhã de quinta-feira, a filha Gabriela perguntou à mãe pelo pai. "Ele foi ao Rio e volta à noite", respondeu Eliane. "Não, mãe, o avião dele caiu e ele não volta mais", retrucou Gabriela. A mãe tentou desconversar, dizendo que aquilo era besteira da filha. Minutos depois, ao ligar a televisão teve a confirmação da premonição há pouco demonstrada pela pequena Gabriela.

À espera do filho
HENRIQUE M. TRINDADE
engenheiro, 32 anos

A morte do engenheiro pós-graduado em marketing Henrique Trindade é duplamente cruel. Atual gerente geral do Cartão Real Visa, ele deixa a filha Roberta e a esposa Kátia grávida de cinco meses de um menino. "A família crescia exatamente como eles haviam planejado", lamenta a amiga Maria Cecília.

Só de avião
HAMILTON CIMIONI
empresário, 49 anos

Proprietário de um frigorífico, Cimioni era de uma tradicional família curitibana. Empresário de sucesso, andava com seguranças e só gostava de viajar de avião. Era casado, pai de três filhos e tinha chegado a São Paulo na noite de quarta-feira para embarcar na manhã seguinte para o Rio, para mais uma reunião de negócios. Um de seus seguranças, Dimas Guimarães, foi ao IML para ajudar na identificação, mas não conseguiu.

Morte na rua
TADAO FUNADA,
pedreiro, 60 anos

Corpo em chamas, o pedreiro Tadao Funada despencou de um prédio de dois andares na esquina das ruas Luís Orsini de Castro e Victor Eugênio do Sacramento. "Fui tentar ajudar, mas ele já estava morto. Parecia um boneco carbonizado", disse o marceneiro Washington Luis Abreu e Silva. O mais provável é que tenha sido queimado pelo querosene derramado pelo avião.

Vítima americana
DAVID FRANCIS TOBOLLA
diretor financeiro, 40 anos

Apaixonado pelo Brasil, o executivo americano David Francis Tobolla morava há um ano e meio em São Paulo. Funcionário de carreira do maior banco do mundo, o Citibank, poderia escolher qualquer canto do planeta para trabalhar, mas optou pela filial paulista graças à influência de sua esposa brasileira. Aos 40 anos, era diretor financeiro da área de pessoa física da instituição.

Com lugar marcado
HENRIQUE MENTONI FILHO
executivo, 40 anos

O administrador sênior de fundos Henrique Mentoni Filho costumava viajar duas vezes por mês ao Rio para reuniões com executivos de sua carteira de clientes. Acreditava que o vôo 402 era perfeito porque tinha lugar marcado, ao contrário da ponte-aérea. Paulista, 40 anos, Mentoni era separado, tinha duas filhas e trabalhava no Chase Manhattan Bank.

Vida realizada
LAÉRCIO CREMASCO
executivo, 42 anos

O mais perto que o gerente havia passado da morte foi há alguns anos, quando sofreu um acidente de barco. Mesmo assim, considerava-se um homem de sorte. Estava satisfeito com a carreira. "Ele tinha alcançado todos os seus objetivos", contou o irmão Levi. Executivo do Laboratório Farmacêutico Boehringer De Angeli, Cremasco encarava a ponte aérea duas a três vezes por mês.

Escrito por Jorge Tadeu às 13h54
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PERSONAGENS DA TRAGÉDIA III

HORROR

"Achei que ia morrer esmagada"
LOURDES DE SOUZA
dona de casa, 56 anos,

Um avião em chamas passou pela cabeça da dona de casa Lourdes de Souza. Há 30 anos, ela mora na rua Dr. Victor Eugênio do Sacramento, ao lado do segundo prédio atingido pelo avião. Estava tranquilamente no quintal de sua casa, lavando com uma mangueira sua cachorra Laika, uma pastora alemã, quando a tragédia aconteceu. "O avião com as luzes acesas e piscando passou e estremeceu tudo. Achei que ia morrer esmagada, mas ele continuou reto, largando combustível. O barulho era infernal. Começou a pegar fogo nas coisas do quintal, mas fui apagando com a mangueira. Quando entrei em casa, meu filho de 18 anos estava debaixo da mesa da cozinha", relembra Lourdes.

Pouso na cama
JORGE TADEU DA SILVA
professor, 33 anos

Os pais Natividade, 62 anos, e Arnaldo Conceição da Silva, 66 anos, moravam no sobrado colado ao do filho Jorge e da nora Maria José na rua Luís Orsini de Castro. O casal de velhinhos havia acabado de comprar seu primeiro carro zero, um Logus. No final de semana, a garagem foi reformada e pouco antes do acidente, eles estavam na janela do quarto, examinando o teto da obra. Assim que desceram para tomar o café da manhã, aconteceu a tragédia. "O trem de pouso do avião foi parar em cima da cama dos meus pais", conta Jorge. "Escaparam pelos fundos, pois há uma comunicação com o meu sobrado."

Visão da varanda
REGINA MASCAGNI
professora, 40 anos

A 500 metros do local do acidente, Regina Mascagni acompanhava o Fokker 100 da sacada do 12o andar do prédio onde mora. "Achei estranho o avião subir e em seguida perder velocidade." A professora se diz convencida de que o piloto seguia em linha reta e, ao perceber que poderia cair sobre uma escola, teria dado uma guinada à direita. "Ele começava a perder velocidade e, de repente, desviou para a direita e a asa bateu no prédio em frente." Por muito pouco, os 2,4 mil alunos da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Doutor Angelo Mendes de Almeida não entraram na lista das vítimas. A escola fica na rota de passagem dos aviões e só escapou de ser atingida por pura sorte. "Os alunos ficaram em pânico", contou a inspetora Marilda Ferreira Branco.

"Pareciam bombas"
HUMBERTO COELHO
bancário, 40 anos

Morador de uma rua próxima ao local da queda do avião, Coelho foi um dos primeiros a chegar e encontrou um cenário de horror. "Pareciam bombas explodindo. Ajudei a tirar um senhor de uma das casas, mas ele não conseguia se mexer. Sua casa havia sido totalmente destruída", contou. O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Leopoldo Correia Filho também ajudou no resgate: "Era uma visão dantesca."

Labaredas no céu
MARIA A. DE OLIVEIRA
dona de casa, 48 anos

A rua estava vazia. A 150 metros dos primeiros prédios atingidos pelo Fokker 100, Maria Aparecida de Oliveira esperava o ônibus no ponto. De repente, apareceu um avião voando baixo, que atingiu em cheio o alto do edifício da esquina. "Depois, bateu num apartamento do prédio do outro lado da rua, fazendo um estrondo enorme. O avião foi caindo para a rua de trás e soltando labaredas. As bolas de fogo se espalhavam para todos os lados", conta Maria Aparecida. A esta altura ela já estava correndo na direção contrária. "Só quando pararam de cair, voltei para minha casa."

Escrito por Jorge Tadeu às 13h51
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O vôo e o avião

 

Tragédia no
Vôo 402

O vôo e o avião

Segundo especialistas, jato é um dos mais seguros

Agência Folha 31/10 19h28
De São Paulo


            Fokker-100 da TAM idêntico ao acidentado

A TAM, empresa aérea fundada em 1976 pelo comandante Rolim, opera atualmente com 45 aviões da marca holandesa Fokker. A empresa paulista possui 28 modelos Fokker 100, segundo registros do Departamento de Aviação Civil (DAC). Essa aeronave é caracterizad como um jato médio para 108 passageiros e autonomia de vôo para até 5h30.

Com seu projeto aerodinâmico e suas turbinas Rolls-Royce, o Fokker-100 é, segundo especialistas em aeronáutica, um dos jatos mais seguros do mundo. Seu projeto começou a ser desenvolvido pela empresa holandesa Fokker em 1969, ano em que foi lançado o primeiro jato para aviação regional, o F-28.

Seu sucesso fez com que fossem desenvolvidos sucessores com conceitos parecidos. Cada Fokker-100 custa 30 milhões de dólares.

Com a saúde financeira debilitada, a empresa cedeu o controle acionário ao grupo alemão Dasa, em 92, e, com um rombo de 2,4 bilhões de dólares, teve a falência decretada este ano. Empresas que, como a TAM, adquiriram uma das 1,2 mil aeronaves em operação têm a manutenção do jato garantida. Apesar da falência, a parte saudável do grupo foi mantida em operação.

O grupo TAM é o maior consumidor dos aviões da empresa holandesa Fokker na América Latina. O acidente desta quinta-feira (31) foi o primeiro envolvendo um Fokker F-100 no Brasil. A TAM é a única empresa que opera esse tipo de avião no país.

A TAM não descartou o uso das aeronaves, mesmo depois do anúncio da falência da companhia holandesa, no início do ano. 'Não há por que descartar o uso dos aviões Fokker. As aeronaves são modernas e adequadas ao uso em grandes cidades. A TAM não pretende passar a voar com outros aviões nos próximos anos', afirmou Rolim Amaro, na ocasião.

Entre as vantagens do Fokker destacadas por Rolim, estavam a rapidez e conforto dos aviões. 'Esses aviões são silenciosos e seguros, fator essencial para quem opera em um aeroporto dentro da cidade.' (nós sabemos o quanto são seguros: explosões a bordo, trens de pouso em pane, portas que caem...) Segundo a diretoria da TAM, a produção de peças e manutenção das aeronaves era garantida pela Fokker.

A Fokker holandesa decretou falência em 15 de março de 96 com uma dívida de 2,4 bilhões de dólares. Depois de decretada a falência, a empresa anunciou que continuaria fabricando aviões até 1997.

Fokker 100
Fabricante: Fokker Aircraft B.V. Velocidade Máxima: 850 km/h
Capacidade: 108 passageiros Combustível: 12 820 l
Autonomia de Vôo: 5h30 Comprimento da Pista: 1 300
Comprimento da fuselagem: 35,53 m Envergadura da asa: 28,08 m
Altura: 7,53 m Altitude vôo cruzeiro: 10 700 m
Capacidade porões carga/bagagem: 7 700 Kg Peso da aeronave: 25 200 Kg

Este vôo da empresa não faz parte do pool da Ponte Aérea Rio-São Paulo, trata-se de um serviço separado que liga os aeroportos centrais das duas maiores capitais brasileiras.

Origem: SÃO PAULO (Congonhas) - SP
Destino: RIO DE JANEIRO (Santos Dumont) - RJ


Nº Vôo Saída Chegada Nº Escalas Frequência
KK402 8.20 9.05 0 Seg Ter Qua Qui Sex

Escrito por Jorge Tadeu às 13h27
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TRAGÉDIA NO VÔO 402

Brasil Online 31/10/96 - 23h03
De São Paulo

 

Tragédia no
Vôo 402

Jato cai em SP com 96 pessoas a bordo

Avião da TAM sofre acidente após decolar em Congonhas e cai sobre casas no Jabaquara. Não há sobreviventes. Entre as vítimas, estão dezenas de empresários e executivos

O número de vítimas fatais da queda de um avião Fokker 100 da TAM em São Paulo pode chegar a 105, segundo informações da companhia. O jato prefixo PT-RNK fazia o vôo 402, do Aeroporto de Congonhas com destino ao Rio de Janeiro. Havia 96 pessoas a bordo (90 passageiros e seis tripulantes). Entre os ocupantes, estavam dezenas de empresários e executivos. Todos morreram). Os corpos resgatados eram envoltos em plástico e espalhados pela calçada.

A aeronave decolou às 8h26 e caiu às 8h28 sobre diversas casas no Jabaquara, zona sul paulistana. Antes de cair, a asa do avião bateu em um prédio de dois andares e partes da fuselagem atingiram cerca de dez casas. O Instituto Médico Legal não divulgou até as 20h30 o número oficial de mortos. A TAM anunciou que além dos 90 passageiros e 6 tripulantes, outras 9 pessoas morreram em terra. O instituto também não confirma o número de vítimas já reconhecidas. Segundo a Secretaria de Segurança, foram registrados apenas três mortos em terra. É o segundo maior acidente aeronáutico do Brasil. O governador Mário Covas e o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, decretaram luto oficial de três dias. Ainda não há informações sobre os motivos do acidente. Segundo a Infraero, o piloto sentiu a necessidade de voltar ao aeroporto e, durante o procedimento, o jato teve problemas técnicos e caiu. As investigações devem durar 90 dias.

Não saiu em 90 dias. Levou mais de um ano.

O resgate das vítimas

Os corpos das vítimas do acidente com o jato da TAM foram colocados na Rua Luís Orsini de Castro. O bairro do Jabaquara, atingido pela queda do avião, teve a energia elétrica, luz e telefone cortados devido ao acidente. O coronel Leopoldo Augusto Correa Filho, do Corpo de Bombeiros, disse que a primeira viatura chegou ao local às 8h35. "Já ouvimos gemidos vindos dos destroços das casas e pode haver outras vítimas", disse o oficial pela manhã. Os bombeiros levaram 26 viaturas ao local (entre carros de combate a incêndio e ambulâncias dos para-médicos) e oitenta homens trabalharam no resgate. Soldados do Exército e Aeronáutica também foram acionados para inspecionar a região e recuperar a caixa-preta da aeronave.

O atendimento aos sobreviventes

O Hospital Municipal do Jabaquara recebeu dezesseis vítimas do acidente, sendo que pelo menos três delas apresentaram intoxicação exógena, causada pela inalação de gases tóxicos do avião. O caso mais grave é o do mecânico Dirceu Barbosa Geraldo, de 39 anos, que apresenta 75% do seu corpo com queimaduras de segundo e terceiro graus. Segundo o diretor do hospital, Tomás Antônio de Almeida, Geraldo vai sobreviver.

Todas as dezesseis pessoas atendidas no hospital moram no bairro do Jabaquara. Foram liberadas até a tarde da quinta nove vítimas. Segundo o diretor, a equipe do hospital realizou no mesmo dia da tragédia uma simulação de atendimentos a acidentes aéreos no Aeroporto de Congonhas. "Em sete minutos já estávamos no local", disse Almeida.

TAM monta Central de Informações

A TAM Linhas Aéreas montou uma Central de Informações para atender às famílias das vítimas. O serviço funciona no Golden Flat Hotel, próximo ao aeroporto de Congonhas. No IML, só está sendo permitida a presença de um familiar de cada uma das vítimas. O IML está gravando em vídeo images/ dos corpos das vítimas do acidente com o avião da TAM que podem ser reconhecidos visualmente. As images/ serão apresentadas aos parentes das vítimas que estão no Golden Flat.

A TAM comprometeu-se a dar assistência aos familiares e disse que entregou todos os documentos de controle e registro de vôo ao Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos do Ministério da Aeronáutica. O presidente da TAM, Rolim Amaro, está no Caribe. As ações da TAM caíram 22% nas bolsas.

O Golden Flat, citado em outras matérias como "hotel de luxo"  fica ao lado do aeroporto de Congonhas. Quanta sensibilidade na escolha do local... E o que na verdade foi montado - no primeiro andar do Flat - foi um escritório da TAM para reuniões com as vítimas do acidente. Tudo muito conveniente para a TAM: nos afastaram dos holofotes da imprensa, fizeram pressões diárias para aceitarmos a indenização no valor que eles queriam, após dois meses exigiram a saída de todos do Flat oferecendo o pagamento de três meses de aluguel. Imagine a dificuldade em alugar um imóvel por esse prazo. Não houve essa cortesia toda como foi divulgado.

Usaram essa hospedagem e a inexistente "assistência total às vítimas" como ação de marketing, o que tornou-se um "case", um modelo de como salvar a imagem de uma empresa num momento de crise.Marquetagem pura! Importante: as psicólogas do Grupo de Luto da PUC estiveram por lá de maneira expontânea. As vimos apenas uma vez e por não mais de dez minutos. De qualquer forma agradeço às profissionais da PUC.

Encontrada cocaína entre escombros

O delegado do grupo de Operações Especiais (GOE), José Roberto Arruda, confirmou que a substância encontrada nos destroços do Fokker 100 era mesmo cocaína.

"Os exames deram positivo e posso garantir que a droga, embrulhada em sacos plásticos, foi recolhida do compartimento de bagagem da aeronave", disse. Segundo o delegado, a quantidade de droga apreendida foi de 3 948 gramas.

Fui questionado por investigadores do 35º DP sobre a presença desta cocaína na frente da minha casa. Não bastasse o acidente, mais essa. Que dia...

Com informações de Agência Folha e AJB

Escrito por Jorge Tadeu às 12h56
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