A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE NO VÔO 402 DA TAM

EU E A TRAGÉDIA


29/09/2006


Rua guarda marcas psicológicas

São Paulo, sábado, 31 de outubro de 1998

Rua guarda marcas psicológicas

da Reportagem Local

Insônia, tensão e batalhas judiciais. Apesar de não ter mais nenhuma marca física da queda do avião da TAM, a tragédia continua interferindo na vida dos moradores da rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara (zona sudoeste de São Paulo).
A aeronave provocou estragos em cerca de 20 casas. Quatro pessoas que estavam no solo morreram no acidente.
"Apesar do tempo, minha vida nunca mais voltou ao normal. Tenho insônia à noite e minha mãe não fica mais no escuro", afirmou o jornalista Jorge Tadeu da Silva.
Uma turbina e uma das rodas do Fokker-100 praticamente destruíram parte da casa dele e da de seus pais, que moram ao lado.
Além do trauma provocado pelo acidente, as duas famílias também iniciaram uma batalha judicial contra a TAM. Segundo Silva, as seguradoras pagaram uma indenização 30% abaixo do valor necessário para cobrir os prejuízos.
A dona-de-casa Sônia Regina Pezini, 37, afirmou que teve um colapso nervoso há cerca de um mês. No dia do acidente, ela estava sozinha em casa. A cozinha e a sala desabaram. Ela teve que pular dois telhados para conseguir sair dos escombros.
"Já tomei vários antidepressivos e fui ao psicólogo, mas não consegui esquecer", disse a dona-de-casa. "Há um mês, escutei um barulho mais forte e comecei a chorar. Para quem não perdeu nenhum parente, o pior de tudo é a parte psicológica."

Escrito por Jorge Tadeu às 15h04
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Desastre da TAM pode ficar sem culpados

São Paulo, sábado, 31 de outubro de 1998

VÔO 402

Inquérito sobre queda de avião que matou 99 pessoas em SP, em 96, pode ser arquivado por falta de provas

Desastre da TAM pode ficar sem culpados

Antonio Gaudério/Folha Imagem
 
Jorge Tadeu da Silva, morador da rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara, segura foto de casa atingida no dia da queda do Fokker-100 da TAM


GONZALO NAVARRETE
da Reportagem Local

Dois anos depois da queda do Fokker-100 da TAM, a investigação policial que apura o acidente ainda não tem nenhuma prova que permita indiciar criminalmente alguém pelas 99 vítimas que morreram no acidente.
O delegado-titular da 2ª Delegacia Seccional de São Paulo, Romeu Tuma Júnior, afirmou ontem que as investigações feitas até agora indicaram dois indícios: negligência na checagem dos equipamentos da aeronave antes que ela decolasse de Congonhas e também uma possível falha no treinamento dado à equipe que pilotava o avião.
Tanto a Polícia Civil quanto o promotor que acompanha as investigações esperam concluir o inquérito dentro de quatro meses. Apesar disso, os dois admitem a chance de que o inquérito acabe sem nenhum indiciamento por ausência de provas.
"Temos fortes indícios de que o reverso estava ciclando (abrindo e fechado) antes de o Fokker decolar de Caxias do Sul para São Paulo", disse o promotor de Justiça Criminal do Jabaquara Mário Luiz Sarrubbo, designado para acompanhar o inquérito.
"As investigações estão indicando que é difícil conseguir uma prova técnica. Se isso acontecer, o inquérito será arquivado."
A TAM informou que o resultado apontado pelo laudo feito pelo Ministério da Aeronáutica contradiz os indícios apontados pelo inquérito criminal.
Segundo a TAM, o laudo comprovou que a queda foi causada por uma falha mecânica não prevista pelo fabricante do avião. Na verdade, o laudo apontou 8 falhas que contribuíram para o acidente, 3 cometidas pela tripulação.
A TAM também informou que investe RS$ 4,5 milhões em treinamento dos pilotos e co-pilotos dos 38 Fokker-100 da empresa. Segundo ela, o treinamento dado à equipe que pilotava o vôo 402 seguia as recomendações do fabricante.
Caso o inquérito consiga achar um responsável, as equipes responsáveis pela vistoria do Fokker ou o diretor de operações da TAM podem ser indiciados por homicídio culposo. A pena varia de 1 a 4 anos de prisão.
Segundo o delegado, as investigações foram prejudicadas pela demora no envio do laudo final feito pela Aeronáutica sobre as causas da queda do avião.
O documento ficou pronto em dezembro de 1997. Mas chegou às mãos da polícia de São Paulo apenas em junho deste ano, depois que o Ministério Público de São Paulo ganhou ação no Superior Tribunal de Justiça obrigando a Aeronáutica a entregá-lo.
"Não foi uma fatalidade. Precisamos descobrir agora se alguém sabia do problema mecânico e se poderia ter feito algo para evitar o acidente", disse o delegado.

Escrito por Jorge Tadeu às 14h57
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23/09/2006


Administrador Regional demitido

Apesar de o Prefeito ser quem era o bom senso prevaleceu. Demitido, o Administrador Regional do Jabaquara me procurou no Golden Flat para que conversasse com o Prefeito e dissesse que tudo não passou de um lamentável equívoco. Equívoco ele cometeu dois. Ao me intimar e ao pedir minha ajuda depois...

"OEstado de S.Paulo", 03/11/1996

Escrito por Jorge Tadeu às 15h17
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Intimado a reconstruir minha casa em dez dias !

Funcionários da Administração Regional do Jabaquara me entregaram um Auto de Intimação, como esse acima, dando um prazo de dez dias (!!!) para que eu reconstruísse minha casa, sob pena de ser multado. Lembro bem quando recebi essa notificação. Fiquei indignado. Será que esses absurdos acontecem em outro país?

Publicado em "O Estado de S.Paulo", 03/11/1996.

Escrito por Jorge Tadeu às 15h07
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COCAÍNA NO AVIÃO

Esta ocorrência interessante, levou a polícia a me questionar se sabia algo sobre a droga. Os "Sherlock's" da polícia deduziram que, por a droga estar em frente a minha casa (no meio da rua) eu saberia ou teria algo a ver com ela. Brilhante ! Casas e corpos destruídos ao meu lado, cabeça a mil por hora e eu tendo que dar explicações aos "experts" da investigação criminal sobre um assunto despropositado como esse. Fala sério !!!

Publicado em "O Dia", 01/11/1996.

Escrito por Jorge Tadeu às 14h49
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16/09/2006


Quase 10 anos da tragédia com o Fokker 100 da TAM

Sou uma das vítimas terrestres do acidente. Minha casa foi destruída pelo avião. Prestes a completar 10 anos da tragédia até agora não fui indenizado. A ação foi julgada ao meu favor em 1ª e 2ª Instâncias, mas TAM e a Unibanco Seguros vêm interpondo recursos para obstruir o pagamento. Não dá para aceitar a lentidão e a permissão para infindáveis recursos que há na Justiça brasileira.

Abaixo uma foto da minha casa após o acidente.

 


Escrito por Jorge Tadeu às 15h58
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