A HISTÓRIA REAL DO ACIDENTE NO VÔO 402 DA TAM

OUTRAS MATÉRIAS


03/10/2006


TAM luta contra onda de "Fokkerfobia"

TAM luta contra onda de "Fokkerfobia"

A TAM luta hoje contra uma reação dos passageiros que ameaça virar um novo jargão do setor aéreo: a "Fokkerfobia", ou o medo de viajar no Fokker 100. Em defesa do avião, a companhia argumenta que o maior problema do modelo, hoje, não é a exposição aos riscos, mas à mídia.

Peça fundamental para o crescimento da empresa, o Fokker 100 enfrenta a pior crise de imagem desde a queda do vôo 402 em São Paulo, responsável pela morte de 99 pessoas em 1996. O fato é que o "mal" se propaga rapidamente entre os clientes da companhia, incluindo passageiros, empresas e operadoras de turismo.

Os temores pareciam ainda maiores na última sexta-feira, dia 13. "Se o problema do avião for azar, o risco hoje é maior ainda", dizia a médica Mônica Santana, que aguardava, tensa, seu vôo para Goiânia, de Fokker 100. "Se pudesse escolher, iria em outro vôo, mas ganhei a passagem." Jean Vechi apenas acompanhava a namorada, Mônica, no aeroporto, mas garantia que, se estivesse no lugar dela, não embarcaria.

"Nunca mais voei de Fokker 100, desde o acidente de 96." O analista de sistemas Eudócio Marinho se dizia "aliviado" depois que o departamento de segurança de sua empresa, a fabricante de papel e celulose Suzano Bahia Sul, decidiu não colocar mais seus funcionários a bordo dos Fokkers 100. "Continuamos voando com a TAM, mas a agência de viagens que nos atende está proibida de adquirir passagens para aquele avião", contou Marinho, que viaja semanalmente a trabalho. No meio de tanta preocupação, a aposentada Carmem Karan Gerwy, de Porto Alegre, contrariava a regra. "Não tenho o menor preocupação em viajar no Fokker 100. Acredito que problemas podem acontecer em qualquer companhia aérea", garantia. "Continuo confiando na TAM."

Segurança - A resposta da TAM à situação tem sido categórica: "Não há nenhum problema com a manutenção dos aviões da TAM", garante o chefe de Segurança de Vôo da empresa, Marco Aurélio Rocha. O comandante, que ocupa uma cadeira no Comitê de Consultores de Segurança da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), explica que um avião do porte do Fokker 100 percorre mais trechos do que os usados em rotas mais longas, o que aumenta sensivelmente a freqüência de acidentes ao longo da vida útil do avião. "Temos 47 Fokkers fazendo de 10 a 12 pousos por dia cada um", conta. Rocha acredita que a percepção dos problemas nos vôos do modelo está sendo "maximizada" pelos veículos de imprensa. "O público ficaria espantado se soubesse a quantidade de acidentes aéreos que ocorre em dois meses, mas, como a maioria deles não chega a colocar em risco os passageiros, passa despercebida. Não é isso o que acontece em relação ao Fokker 100", diz.

Para o professor de Ética Jornalística Carlos Alberto Di Franco, a imprensa deve adotar uma posição prudente ao tratar da imagem da empresa, mas não há dúvida de que os acidentes são notícias de interesse público. "Cabe à companhia um comportamento de grande transparência, aproveitando o espaço na mídia para explicar à população se há de fato algum problema", afirma Di Franco. "Fatos que têm sido divulgados, como o de que a fabricante do avião faliu, acabam despertando preocupação nos passageiros." A empresa informa que, após o fechamento da Fokker, o governo do país onde o avião era montado, a Holanda, e o grupo industrial Stork mantiveram a fabricação das peças dos aviões. Neste ano, segundo a empresa, estão destinados US$ 210 milhões para a manutenção de sua frota, ante os US$ 150 milhões gastos no ano passado.

Agência Estado, 15 de setembro de 2002

Escrito por Jorge Tadeu às 23h07
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Fokker da TAM faz pouso não programado no RS

Edição 225 - 04/09/2002

Fokker da TAM faz pouso não programado no RS

CBN e Higino Barros, do jornal O Globo

 

Um avião Fokker 100 da TAM que vinha de Buenos Aires, na Argentina, para São Paulo, fez um pouso inesperado e não programado no aeroporto de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, como medida de precaução nesta manhã.

O piloto teria ficado preocupado com uma vibração diferente numa das turbinas do vôo 8006 e resolveu descer. O avião estava com 63 pessoas, entre tripulantes e passageiros. Um outro avião da TAM foi enviado para Pelotas para os apanhar os passageiros e prosseguir o vôo.

De acordo com nota divulgada há pouco pela TAM, o avião seguia para o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos e quando estava sobrevoando a região sul do Brasil registrou uma indicação de vibração nos motores devido a uma formação de gelo. O avião poderia seguir viagem normalmente até Guarulhos, segundo a assessoria de comunicação da TAM, mas o comandante, em atitude prudente, optou por fazer um pouso normal na cidade de Pelotas, interior do Rio Grande do Sul para verificar o que aconteceu. Nenhum passageiro ficou ferido.

Escrito por Jorge Tadeu às 23h06
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Outra vez, uma vez mais, desta vez foram dois...

Sábado, Agosto 31, 2002

Outra vez, uma vez mais, desta vez foram dois...

Desta vez o negócio foi mais sério e caíram dois Fokker 100 da TAM de uma tacada só em um mesmo dia. Um ficou, PASMEM, sem combustível e outro teve (mais uma vez) problema no trêm de pouso.

O pior de tudo é que isso aconteceu exatamente no dia que minha esposa viajou de TAM para o Nordeste. Apesar que sempre ao voar pela TAM me certifico que a aeronave não seja um Fokker 100 e neste caso era um Airbus novinho.

Esse maldito "avião do cão" não matou ninguém desta vez a não ser de susto. O do problema com o trêm de pouso fez um pouso de emergência em Viracopos (Campinas) e se arrastou por 400 metros na pista com espuma e tudo. O caso do combustível foi mais grave e ele literalmente caiu sem combustível em uma fazenda no interior de São Paulo. Neste caso específico a aeronave ficou bastante danificada.

Pois é DAC, quando é que vocês vão tomar uma providência e proibir a decolagem desse maldito Fokker 100? E vocês da TAM, quando é que vão se livrar dessas bombas voadoras?

Marcos Alsina

Escrito por Jorge Tadeu às 21h52
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Acidente fecha aeroporto de Viracopos e vôos são cancelados

São Paulo, sexta-feira, 30 de agosto de 2002

Acidente fecha aeroporto de Viracopos e vôos são cancelados

da Folha Online

O pouso forçado feito por um Fokker 100 da TAM às 12h05 de hoje interditou o aeroporto de Viracopos, em Campinas (95 km de SP). Até o momento, cinco vôos foram cancelados. Não há previsão de quanto a aeronave, que estava com 42 passageiros, será retirada da pista.

O Fokker 100, que fazia o vôo 3499, saiu de Salvador às 8h40 com previsão de pouso às 11h no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Após apresentar problemas, a aeronave fez um pouso forçado, de barriga, em Viracopos. Não há, até o momento, informações de feridos.

Uma equipe do DAC (Departamento de Aviação Civil) segue para o aeroporto para verificar as causas do problema. Uma equipe de manutenção da TAM também é esperada para retirar o avião da pista.

O próximo vôo previsto é o 5367 da Rio-Sul, que sai de Curitiba em direção ao Rio, com escala em Campinas, previsto para pousar às 14h15 em Viracopos.

Escrito por Jorge Tadeu às 21h48
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2 aviões da TAM fazem pouso forçado

30 de Agosto de 2002
 
Acidente

2 aviões da TAM fazem pouso forçado

Birigui (AE)

Dois aviões da TAM fizeram pousos de emergência ontem no interior do Estado de São Paulo. O primeiro Fokker 100 sofreu pane por falta de combustível e aterrissou às 11 horas em uma fazenda em Birigui, a 535 km de São Paulo. Levava cinco tripulantes e 24 passageiros, dos quais quatro ficaram feridos.

Com problemas no trem de pouso, o outro aparelho desceu em situação semelhante, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, a 90 km de São Paulo, às 12h05. O avião, que fazia o vôo 3499, havia saído de Salvador e seu destino era o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Levava 42 passageiros e cinco tripulantes. Não houve feridos.

O Fokker que fazia o vôo 3804 - e desceu no pasto da fazenda - havia decolado do Aeroporto Internacional de São Paulo e seguiria para Campo Grande (MS). Com pouco mais de uma hora de vôo, no entanto, o avião entrou em pane e o piloto Mateus da Silva Madeira, de 29 anos, foi obrigado a iniciar o pouso de emergência, a 20 km do aeroporto de Araçatuba.

Na descida, o aparelho atropelou uma vaca e se arrastou por 300 metros. Com o impacto, teve o trem de pouso arrancado. Também houve danos nas turbinas e na parte traseira da fuselagem.

FERIDOS - Quatro pessoas ficaram feridas sem gravidade. José Jorge Rezende, de 47 anos, Mário Valente, de 61, Susan Lannes Andrade, de 48, e Maria de Fátima Cardoso, de 49, foram levados para a Santa Casa de Birigüi com escoriações. Eles receberam alta logo depois.

"Pensei que não fosse sair viva, mas graças a Deus todos nós escapamos", disse a assistente social Gisele Azambuja, de São Paulo. Ela percebeu que algo estava errado ao olhar pela janela e notar que o avião descia em uma área rural. Outros passageiros tiveram crise nervosa e foram atendidos por dois médicos e um psicólogo da TAM. A empresa levou as pessoas de ônibus até São José do Rio Preto, de onde seguiriam para seus destinos.

Duas testemunhas disseram que viram o Fokker voar baixo. "Ele vinha da direção de Araçatuba e manobrou como se quisesse voltar", contou Luiz Henrique Folhas de Souza. José Sérgio Sanches Ribeiro, que trabalha no gasoduto Brasil-Bolívia, disse ter pressentido a queda. "Ele passou baixo. Vi fumaça e ouvi os motores pararem."

O local do acidente foi isolado para que técnicos da Aeronáutica fizessem perícia no avião. Não havia previsão de quando o aparelho seria removido da fazenda. O caso foi registrado no no 2º DP de Birigui. Segundo o delegado Valdemir Aparecido Lopes, o piloto teria falado sobre a falta de combustível. "Ele me disse que houve um vazamento não detectado pelos computadores de bordo."

  

Escrito por Jorge Tadeu às 21h41
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Dois aviões da TAM fazem pouso forçado em São Paulo

São Paulo, sexta-feira, 30 de agosto de 2002

Dois aviões da TAM fazem pouso forçado em São Paulo

LÍVIA MARRA
da Folha Online

Dois aviões da TAM fizeram pouso forçado hoje em São Paulo. Um deles ocorreu em uma área rural de Birigui (518 km a noroeste de São Paulo). O outro ocorreu no aeroporto de Viracopos, em Campinas (95 km a noroeste de São Paulo), segundo informações do aeroporto.

Maurício Longuini
Barbeiro

Fokker 100 que fez pouso forçado em Birigui

A assessoria de imprensa da Infraero não tem detalhes sobre o pouso, mas afirma que ninguém se feriu. A aeronave pousou de barriga, após problema no trem de pouso.

Em Birigui, quatro pessoas sofreram escoriações leves, conforme Vivaldo Donizete Costa, atendente do pronto-socorro da cidade. A TAM nega a existência de feridos.

O pouso forçado ocorreu por volta das 11h em um pasto do bairro Taquari.

A aeronave -um Fokker 100- havia saído de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Campo Grande (MS), com 24 passageiros a bordo. A capacidade do Fokker é para 108 passageiros.

Ainda não há informações sobre os motivos da pane. Há suspeitas de falta de combustível.

Escrito por Jorge Tadeu às 21h34
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Fokker 100 vai sair do ar

Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2002

AVIAÇÃO

Fokker 100 vai sair do ar

Problemas envolvendo os aviões fabricados na Holanda fizeram com que a TAM investisse na renovação da frota. Esses modelos estão entre os mais rentáveis da empresa aérea

Pedro Paulo Rezende
Da equipe do Correio

A TAM pretende substituir toda a sua frota de 50 aviões Fokker F100 em até oito anos. A renovação se inicia só em 2002 com a entrega de dois aviões arrendados em regime de leasing. Em 2003 serão devolvidos outros seis aparelhos. Eles serão substituídos por Airbus A-320, um dos mais modernos equipamentos do mundo. 

O anúncio coincide com a ocorrência de alguns problemas técnicos e de operação no F100. O último deles, no dia 12, causou uma fuga de fluído hidráulico no sistema de freios e um princípio de incêndio no trem de pouso durante um pouso no Aeroporto do Rio. 

‘‘Os problemas com o Fokker 100 sempre irão surgir primeiro aqui’’, admite o vice-presidente de Manutenção da TAM, Ruy Amparo. ‘‘Temos a segunda maior frota desse modelo, a maior é a da American Airlines com 68 aviões, mas operamos com muito mais intensidade. Por dia realizamos 500 pousos e decolagens, uma média superior em 20% a da American, em rotas com a duração média de apenas uma hora — as da American são em torno de duas horas. É uma questão de estatística.’’ 

Dos três acidentes com mortes ocorridos com os F100, dois foram com aparelhos da TAM, a única a operar o modelo no Brasil. O outro aconteceu na Macedônia em 1996, quando um piloto tentou decolar durante uma nevasca e não conseguiu acionar os comandos da asas que estavam congelados — ele pediu para aplicarem descongelante, mas o trabalho foi mal feito. 

Segundo Amparo, todas as panes verificadas nos Fokker da TAM apareceram depois em aviões de outras companhias. ‘‘Os acidentes de Congonhas e Confins causaram uma campanha de inspeção em todos os F100 do mundo e foram encontrados erros de projeto, já corrigidos’’, afirma. ‘‘Por meio da British Airways Safety Information System (Basis), uma base de dados com todos os incidentes e acidentes aéreos ocorridos, comunicamos o problema com o freio e ele foi localizado em dois aviões — um da KLM holandesa e outro da British Midlands.’’ 

O F100 é operado com sucesso em todos os continentes. É extremamente rentável para as empresas aéreas. Dá lucro com apenas 40 dos seus 108 lugares ocupados. A holandesa Fokker, uma das mais antigas fabricantes de avião, fundada em 1908, faliu em 1996. ‘‘Mas não há falta de componentes no mercado’’, garante o vice-presidente de manutenção da TAM. ‘‘As peças continuam a ser manufaturadas pelos fornecedores tradicionais.’’

Escrito por Jorge Tadeu às 21h08
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Avião da TAM apresenta problema na decolagem em SP e pousa no Rio

Avião da TAM apresenta problema na decolagem em SP e pousa no Rio

12/04/2002

Um Fokker 100 da TAM que decolou do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 12h45, com destino a Vitória, apresentou problema em um pneu e teve de pousar no aeroporto do Galeão, no Rio. O avião tem capacidade para 108 passageiros, mas no momento do vôo 3130 estava com 28 pessoas. Segundo a assessoria da TAM, um avião poder pousar de forma segura com três pneus, ou seja, a aeronave poderia ter seguido diretamente para Vitória. Porém, ainda de acordo com a companhia aérea, o pouso no Galeão foi decidido em função da maior estrutura do aeroporto, que contaria com uma pista mais longa. O pouso no Rio foi normal e os passageiros foram colocados em outra aeronave rumo a Vitória em cerca de 15 minutos. A assessoria informou ainda que técnicos estão apurando as causas do problema no pneu.

Fonte: SITE AVIAÇÃO COMERCIAL

Escrito por Jorge Tadeu às 21h00
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Porta de avião abre durante o vôo e piloto retorna para aeroporto

03/04/2002 - 18h33

Porta de avião abre durante o vôo e piloto retorna para aeroporto

da Folha Online
da Folha de S.Paulo

Um avião Fokker 100 da TAM que saiu à tarde do Rio com destino a Porto Alegre (RS) teve que retornar logo depois da decolagem, por causa de uma porta que se abriu no ar, e fez um pouso de emergência no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, zona norte. Ninguém ficou ferido. O Fokker, com capacidade para 108 pessoas, transportava 42. O avião decolou às 15h30. Minutos depois, a porta dianteira do Fokker abriu e continuou assim até o novo pouso, às 15h35.

A empresa explicou que não aconteceu despressurização da cabine porque o avião estava ainda em baixa altitude, com pressão quase igual à do solo. As causas do problema ainda estão sendo apuradas. Engenheiros da empresa vistoriaram o avião para detectar o problema. Segundo a empresa, a manutenção da aeronave estava em dia. Segundo a assessoria de imprensa da TAM, os 42 passageiros foram reacomodados em dois vôos, um da Varig e outro da própria empresa.

Escrito por Jorge Tadeu às 20h17
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Na contramão

São Paulo, sexta-feira, 09 de novembro de 2001

PAINEL S.A.

(trecho)

Na contramão

Enquanto a Varig e a Transbrasil devolvem aviões, a TAM receberá hoje mais um Airbus 320, com 150 assentos, para reforçar sua frota. Em novembro, chegam mais dois Airbus e, em dezembro, mais um. Para 2002, a TAM deverá receber outros 17 Airbus.

Enquanto as outras empresas sofriam com o atentado de 11 de setembro nos EUA, a TAM ia de vento em popa. Dinheiro nunca foi o empecilho para pagar as indenizações, até porque é a seguradora a responsável pelo pagamento.

Escrito por Jorge Tadeu às 20h00
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Parentes de vítimas fazem ato ecumênico cinco anos após queda de avião

São Paulo, quinta-feira, 01 de novembro de 2001

CASO TAM

Parentes de vítimas fazem ato ecumênico cinco anos após queda de avião

Parentes das vítimas da queda do Fokker-100 da TAM ocorrida há cinco anos em São Paulo realizaram ontem um ato ecumênico na Câmara Municipal para lembrar o acidente que matou 99 pessoas. Também protestaram contra parecer do Ministério Público contrário ao acordo proposto pela companhia aérea.
Em 31 de outubro de 1996, um avião da TAM explodiu minutos depois de decolar do aeroporto de Congonhas (zona sul), caindo sobre casas no Jabaquara. O acidente matou moradores, os tripulantes e os passageiros.
A presidente da Abrapavaa (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreo), Sandra Assali, critica a postura do Ministério Público Estadual e atribui aos promotores a demora em receber a indenização.
O Ministério Público deu parecer contrário à proposta da TAM porque vê três problemas: a previsão de fim de todos os processos contra as empresas envolvidas no acidente, a forma de divisão entre cônjuge e filhos e a não-dedução dos honorários dos advogados do valor a ser pago aos menores de idade.
Sandra, que perdeu o marido no acidente, considera injusto que os custos sejam pagos apenas pelas mães. O acordo prevê indenizações entre US$ 300 mil e US$ 1,5 milhão, totalizando US$ 40 milhões. Segundo a assessoria da TAM, esse valor será pago por uma seguradora, a mesma das quatro empresas envolvidas. Por isso, após o acordo, não haveria razão para novos processos de indenização.
A assessoria também informou que a companhia não é responsável pela forma de divisão dos recursos entre mães e filhos e que isso ficaria a cargo da Justiça. (DA REPORTAGEM LOCAL)

Escrito por Jorge Tadeu às 19h59
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Nota da TAM sobre queda do Fokker-100 há 5 anos

Folha Online

31/10/2001 - 15h06

Leia nota da TAM sobre queda do Fokker-100 há 5 anos

da Folha Online

A TAM divulgou hoje uma nota sobre as providências tomadas em relação à queda do Fokker-100 em 31 de outubro de 1996, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. Na tragédia, 99 pessoas morreram.

Veja a íntegra da nota:

"Em relação à providências tomadas após o acidente do vôo 402, ocorrido em 31 de outubro de 1996, a TAM informa:

- Todos os danos materiais às casas e veículos atingidos começaram a ser indenizados um mês após o acidente e tudo foi quitado em aproximadamente 3 meses; (1)

- 26 famílias celebraram acordo com a TAM no valor de U$ 145 mil cada;

- 32 acordos já foram celebrados com as demais famílias que litigam contra a TAM, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Não existe nenhuma decisão norte-americana condenando a TAM a pagar qualquer indenização.

- 100% dos passageiros e vítimas de solo receberam propostas de acordo, dos quais aproximadamente 80% aceitaram o valor oferecido;

- Vários acordos já aceitos pelas demais famílias ainda não foram formalizados por razões alheias à TAM como, por exemplo, disputa entre os advogados das próprias famílias (2) e exigências do Ministério Público nos casos envolvendo menores beneficiários.

A TAM, como sempre, se coloca à disposição para qualquer esclarecimento, como vem fazendo, de forma transparente, desde o lamentável acidente." 

Comentando a Nota da TAM:

1. ..."tudo foi quitado em aproximadamente 3 meses" - Como ainda não recebi, a afirmação é mentirosa.

2. ..."não foram formalizados por razões alheias à TAM" - Na verdade a TAM vem interpondo infindáveis recursos independente da nossa vontade ou de nossos advogados.

Escrito por Jorge Tadeu às 19h59
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Trinca em vidro interrompe vôo da TAM

São Paulo, quinta-feira, 11 de outubro de 2001

ACIDENTE

Chuva de granizo teria provocado o problema em avião que seguia de São Paulo a Belo Horizonte; não houve feridos

Trinca em vidro interrompe vôo da TAM

DA REPORTAGEM LOCAL

Um avião da TAM, modelo Air Bus-320, teve parte do vidro da cabine trincado ontem à tarde, durante um vôo de São Paulo a Belo Horizonte. Segundo a companhia, a aeronave foi atingida por uma forte chuva de granizo e teve que interromper a viagem, retornando ao aeroporto de Congonhas, na capital paulista.
A fissura aconteceu em uma das três camadas que formam a estrutura do vidro frontal. A TAM diz que ela foi provocada pelo granizo, quando a aeronave estava a 3.000 metros de altura e ainda permanecia em procedimento de subida. Não houve feridos.
O vôo 3210 havia saído de São Paulo às 15h15 em direção ao aeroporto da Pampulha, em Minas Gerais, levando 54 passageiros. O piloto do avião pousou novamente em Congonhas mais de meia hora depois, às 15h48.
A empresa afirma que a aeronave ainda não estava na metade do caminho e que esse intervalo de tempo a partir da decolagem se deu principalmente por causa do tráfego aéreo para pousos no aeroporto paulista. Apesar do incidente, esse procedimento não chegou a ser considerado forçado nem de emergência.
Como só houve fissura em uma das três camadas de vidro, a cabine também não teve despressurização (falta de pressão adequada para que todos respirem normalmente). Os 54 passageiros que estavam no avião foram acomodados em outros vôos durante a tarde de ontem, segundo a TAM.

Histórico

O avião Air Bus-320 é um modelo novo da TAM para vôos domésticos. Ele passou a integrar a frota da companhia aérea somente no ano passado. A empresa diz que nunca havia registrado incidentes envolvendo fissuras no vidro da cabine.
A TAM teve vários acidentes aéreos nos últimos anos com seu modelo Fokker-100. O último deles aconteceu no último dia 15, em Belo Horizonte, quando uma hélice da turbina se desprendeu, atingiu a fuselagem, quebrou uma janela e provocou a morte da passageira Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, 48.
O vôo era fretado pela agência turística CVC e havia decolado de Recife com destino ao aeroporto de Congonhas, levando 82 passageiros. O DAC (Departamento de Aviação Civil) ainda está investigando os motivos que levaram ao desprendimento da hélice.
O mais grave acidente aéreo com aviões da TAM aconteceu em 31 de outubro de 1996, quando um Fokker-100 que iria de São Paulo ao Rio de Janeiro caiu perto do aeroporto de Congonhas, logo após a decolagem. O acidente deixou 99 pessoas mortas e atingiu dez carros, dois prédios e sete casas da região.

Escrito por Jorge Tadeu às 19h57
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Mulher morre após pane em avião da TAM

São Paulo, segunda-feira, 17 de setembro de 2001

Peça se desprendeu do motor e rompeu a fuselagem da aeronave; passageira morta teve traumatismo craniano

Mulher morre após pane em avião da TAM

JAIRO MARQUES
DA AGÊNCIA FOLHA
RENATA DE GÁSPARI VALDEJÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma passageira morreu após um problema ainda não identificado em um dos motores de um Fokker 100 da TAM ter provocado o rompimento da fuselagem e a despressurização do avião.
A aeronave fez um pouso forçado anteontem à noite, em Belo Horizonte (MG). Outras três pessoas ficaram feridas levemente, segundo a assessoria de imprensa da empresa aérea.
O vôo 9755, fretado pela agência turística CVC, havia decolado às 18h27 de Recife (PE) com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e escala em Campinas (SP), levando 82 passageiros.
Quando sobrevoava Minas Gerais, uma peça se desprendeu da turbina direita, a cerca de 30 mil pés (9.144 m) de altura, atingindo a janela da poltrona 19E, o que causou a despressurização e a morte da passageira que ocupava o assento, Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, 48, de Jacareí (75 km de São Paulo).
Pouso de emergência
De acordo com a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), a torre de comando do aeroporto de Confins recebeu um pedido de pouso de emergência às 20h30. Às 20h41 a aeronave pilotada pelo comandante Marcelo Seda pousou.
A equipe de bombeiros e de socorristas do aeroporto foi acionada para dar assistência aos passageiros que, segundo a Infraero, desembarcaram em pânico da aeronave. Havia muito sangue e objetos espalhados na cabine de passageiros, segundo testemunhas.
Até a noite de ontem, a TAM não sabia precisar se o objeto atingiu a passageira ou se ela morreu exclusivamente em consequência da mudança de pressão.
Segundo o IML (Instituto Médico Legal) de Belo Horizonte, Marlene foi vítima de traumatismo craniano. O laudo com detalhes sobre as circunstâncias da morte da passageira será divulgado ainda nesta semana.
Segundo a companhia, além dos 82 passageiros havia quatro comissárias de bordo e dois pilotos no vôo 9755.
O aeroporto de Confins ficou fechado para pousos e decolagens por quase duas horas após o pouso de emergência.
Todas as pessoas que estavam na aeronave, segundo a TAM, passaram a madrugada de domingo em hotéis de Belo Horizonte e tiveram médicos e psicólogos à disposição.
Ontem, às 8h44, o vôo 3201 da TAM pousou em Congonhas, em São Paulo, com 54 passageiros que estavam na aeronave com problemas. Outras 15 pessoas chegaram no vôo 3205, que decolou às 10h50 de Belo Horizonte, chegando a São Paulo às 11h55.
Os demais passageiros não quiseram retornar a São Paulo de avião. A TAM providenciou transporte terrestre para que eles chegassem a Congonhas.
O corpo de Marlene dos Santos saiu de Belo Horizonte às 16h40 com destino ao aeroporto de São José dos Campos. O avião chegou por volta de 18h. O corpo foi para o velório Campo Santo, em Jacareí. O enterro será hoje, no cemitério Municipal Avareí.

Aeronave

A TAM, em nota oficial, informou que o Fokker acidentado foi fabricado em 1994, tinha apenas sete anos de uso e foi comprado diretamente do fabricante.
Ainda segundo a nota, o motor Rolls Royce foi revisado pelo fabricante recentemente e a última revisão do avião foi feita em agosto último, o que a deixa "em dia com seu plano de manutenção".
A assessoria de imprensa da TAM informou que não vai se pronunciar sobre detalhes do acidente até a conclusão de um laudo pela Aeronáutica. A empresa vai acionar a Rolls-Royce para ajudar nas investigações.
A relação de passageiros não foi divulgada pela TAM e pela CVC. Pelo menos 27 dos 82 ocupantes do vôo são de Campinas.
Ontem, Guilherme Paulus, sócio-proprietário da CVC, disse que o acidente foi "grave" e que as causas devem ser investigadas.
"A TAM nos informou sobre o acidente e está tomando todas as providências. Ficamos alarmados com a proporção do acidente. Felizmente, não houve mais mortos ou feridos", afirmou Paulus.

Colaboraram as Regionais

Escrito por Jorge Tadeu às 18h36
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Acidente aéreo mata mulher no ar

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2001

Pedaços de Fokker da TAM se desprendem em pleno vôo, quebram janelas, atingem passageiros e três ficam feridos

 

Acidente aéreo mata mulher no ar

BELO HORIZONTE - Um vôo da TAM (Transportes Aéreos Marília) fretado por uma agência de turismo acabou em tragédia e desespero para 82 passageiros que haviam saído de Recife em direção à São Paulo, com escala em Campinas, na noite de sábado. Uma peça que soltou de um motores da aeronave rompeu a fuselagem e três janelas, matando a passageira Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, de 49 anos. Outros três passageiros foram feridos levemente e atendidos pelos médicos da Infraero no Aeroporto Internacional de Confins, em Lagoa Santa, a 40 quilômetros da capital mineira, onde o avião fez um pouso forçado.

O vôo 9755 da TAM (um Fokker 100) saiu de Recife às 18h27 e sofreu a pane às 20h30, quando estava no espaço aéreo da cidade de Montes Claros, na região norte de Minas Gerais. Segundo a assessoria de Imprensa da empresa, uma peça do motor direito se soltou em pleno ar e, com o impacto, danificou a fuselagem e as três janelas. Marlene dos Santos estava sentada na poltrona 19E e foi atingida. O marido, Angelo dos Santos, que estava sentado ao seu lado, ficou segurando o corpo da mulher para que ela ela não fosse cuspida para fora da aeronave. A assessoria da TAM negou que o corpo de Marlene tenha ficado por minutos para fora da janela e que teria sido recuperado pela força do marido, que ficou lhe segurando as pernas.

 

O desespero tomou conta do avião, contou Valéria Nassif, uma das passageiras, ao desembarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ela disse que na hora do impacto, o avião baixou rapidamente, houve muita turbulência e ventania dentro da aeronave, as máscaras caíram e muita confusão e gritaria dos passageiros, inclusive crianças. Segundo a a passageira, foram mais de 10 minutos de terror. Com a pane, o avião fez um pouso forçado no Aeroporto Internacional de Confins, às 21h41 de sábado. O corpo de Marlene dos Santos foi levado para o Instituto Médico Legal de Belo Horizonte, onde foi autopsiado. De acordo com o IML, a passageira teve traumatismo encefálico craniano.

Escrito por Jorge Tadeu às 18h23
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TAM desmente pouso de emergência em aeroporto de Campinas

São Paulo, sábado, 15 de setembro de 2001

TAM desmente pouso de emergência em aeroporto de Campinas

da Folha Online

A assessoria da TAM desmentiu na tarde deste sábado que um de seus aviões, com 54 passageiros, que vinha de Goiânia com destino ao aeroporto de Cumbica (Guarulhos) tenha pousado emergencialmente em Campinas, por falta de combustível. "Guarulhos estava fechado devido ao mau tempo", informou a TAM.

"Havia 1.500 litros de combustível na aeronave, suficiente para mais 30 minutos de vôo", informou a assessoria à Folha Online.

Segundo a TAM foi um "pouso acompanhado", mas não emergencial.

O avião pousou em Viracopos e os passageiros foram trazidos para São Paulo em vans da empresa.

Segundo a assessoria, o pouso ocorreu em Campinas porque Gurulhos estava fechado e há restrições a pousos e decolagens em Congonhas nos finais de semana.

Escrito por Jorge Tadeu às 16h50
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Piloto contradiz versão oficial sobre rota do vôo

São Paulo, quarta-feira, 11 de julho de 2001

Piloto contradiz versão oficial sobre rota do vôo

DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE

Pilotos que voam na região onde ocorreu o acidente acreditam que Rolim Adolfo Amaro, 58, e a gerente comercial Patrícia dos Santos Silva, 30, não estavam viajando para Assunção, o que contradiz a versão oficial da empresa, divulgada anteontem. O indício mais forte é que Rolim não havia feito um plano de vôo para viajar até a capital paraguaia, o que contraria a determinação da Oaci (Organização de Aviação Civil Internacional).
Além disso, o helicóptero, um Robinson R-44 com autonomia de cerca de três horas, caiu na região da cordilheira de Amambay, tradicionalmente sobrevoada em razão da bela paisagem.
Jornalistas que estiveram no local, a 30 km da fronteira com o Brasil, não avistaram nenhum indício de que eles estivessem viajando.
"Cheguei 15 minutos depois do acidente e não vi nenhuma mala"
, disse Candido Figueiredo, do jornal paraguaio "ABC Color".
Os técnicos brasileiros e paraguaios que investigam o acidente ainda não se pronunciaram. Uma das maiores dúvidas é sobre quem pilotava o helicóptero. Figueiredo afirma que viu cabos e fones de ouvido ao redor do pescoço de Patrícia, o que seria um indício de que ela estava no comando.

Escrito por Jorge Tadeu às 16h44
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Opinião - Jorge Tadeu da Silva

São Paulo, terça-feira, 10 de julho de 2001

PAINEL DO LEITOR

TAM

"A morte de qualquer ser humano é uma tragédia, especialmente para sua família. Quando se vê ressaltada, nas declarações dadas por personalidades após sua morte, a ética do presidente da TAM, é importante lembrar que, após o acidente com o Fokker-100, essa tal "ética" nunca esteve presente nas negociações sobre as indenizações às viúvas dos passageiros mortos no acidente e aos moradores do Jabaquara que tiveram suas casas destruídas. Não tivemos amparo da empresa e ainda fomos obrigados a ouvir declarações do sr. Rolim menosprezando os bens que ele não acreditava que tivéssemos em nossas residências. É importante, neste momento, que a verdade não seja mascarada pela tragédia que se abateu sobre sua família."
Jorge Tadeu da Silva (São Paulo, SP)

Escrito por Jorge Tadeu às 16h39
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Mais de 300 acompanham enterro de Rolim

São Paulo, terça-feira, 10 de julho de 2001

ACIDENTE

Sobrevôo de Airbus e chuva de pétalas homenageiam presidente da TAM, morto anteontem em queda de helicóptero


Mais de 300 acompanham enterro de Rolim

DA REPORTAGEM LOCAL

O corpo do comandante Rolim Adolfo Amaro, 58, foi enterrado ontem no cemitério de Congonhas (zona Sul de São Paulo), sob os aplausos de familiares, amigos e funcionários da TAM. Durante o velório, que terminou às 15h, os executivos da empresa evitaram falar sobre a sucessão de Rolim.
Rolim morreu anteontem, em Pedro Juan Caballero (Paraguai), em consequência da queda do helicóptero que pilotava. A gerente comercial da TAM Patrícia Santos Silva, 30, que o acompanhava, também morreu no acidente.
Muitos funcionários foram ao Pavilhão das Autoridades do Aeroporto de Congonhas, onde o corpo do presidente da TAM estava sendo velado. O bispo de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo, conduziu a missa de corpo presente, realizada por volta das 14h.
No velório, as bandeiras do Brasil e da TAM, depois entregues à família de Rolim, cobriam o caixão. No final da missa de corpo presente, funcionárias da TAM cantaram o hino da empresa. Do aeroporto, o corpo seguiu, em um carro do Corpo de Bombeiros, para o cemitério de Congonhas.
Mais de 300 pessoas acompanharam o enterro. Três helicópteros sobrevoaram o cemitério durante a cerimônia. Sobrevôos de um avião Airbus A-319 e uma chuva de pétalas de rosas, jogadas de um dos helicópteros, foram as duas últimas homenagens prestadas ontem ao comandante Rolim. No cemitério, a família do presidente da TAM aplaudia os sobrevôos da aeronaves junto de comissários de bordo, atendentes, recepcionistas e executivos da empresa. Muitos funcionários, abatidos, choravam e lamentavam a morte de Rolim.
"Será difícil encontrar um patrão como ele, a gente tinha que vir homenageá-lo e agradecer pelo carinho com que nos tratava", disse um operador de carga de 25 anos, acompanhado da mulher, também funcionária da TAM.

Sucessão

Os executivos da empresa evitaram comentar os rumores a respeito da sucessão de Rolim na TAM. Ontem, cogitava-se que Daniel Mandelli Martin, vice-presidente do conselho diretivo da TAM, assumiria a presidência da companhia. Mandelli, que é casado com Lecy Martin, irmã de Rolim Amaro, não fez declarações sobre a sucessão da empresa.
Outros dois executivos da companhia teriam chances de ocupar a presidência: Eduardo Falco, vice-presidente comercial e de marketing, e Rubel Thomas, que dirige a vice-presidência de relações internacionais. Thomas, que já foi presidente da Varig, está há três anos na TAM, numa área considerada estratégica.

Escrito por Jorge Tadeu às 16h36
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Vôo de Rolim era irregular, diz Infraero

São Paulo, terça-feira, 10 de julho de 2001

ACIDENTE

Helicóptero deveria ter passado por aeroporto internacional, pois mudou de país; Receita aponta falta de registro


Vôo de Rolim era irregular, diz Infraero

FABIANO MAISONNAVE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PONTA PORÃ

O vôo no qual morreram anteontem o presidente da TAM, Rolim Adolfo Amaro, e a funcionária da empresa Patrícia dos Santos Silva era irregular, segundo o setor de navegação aérea da Infraero (Infra-Estrutura Aeroportuária Brasileira) em Ponta Porã e o aeroporto paraguaio de Pedro Juan Caballero.
A Oaci (Organização de Aviação Civil Internacional), da qual Brasil e Paraguai são signatários, diz que aeronaves, ao transitar de um país-membro para outro, devem decolar de um aeroporto internacional, passar por inspeção e apresentar plano de vôo.
Segundo a Infraero, Rolim não manteve contato com o Aeroporto Internacional de Ponta Porã no fim de semana do acidente. O outro aeroporto internacional mais próximo fica em Campo Grande, distante 350 km da fronteira do Brasil com Paraguai.
O procedimento correto seria que o helicóptero decolasse de um aeroporto internacional, em vez do aeroporto particular do empresário, localizado em sua fazenda, a 18 km de Ponta Porã, antes de entrar no Paraguai.
É também pouco provável que a aeronave, que tinha matrícula paraguaia, tenha chegado a território brasileiro via aeroporto internacional, como determina a legislação. "Não temos informação sobre o helicóptero de Rolim", disse Antonio Carlos Berti, encarregado de atividades da Infraero.
O encarregado de controle de tráfego aéreo em Pedro Juan Caballero, Anibal Bobadilla, disse que entrar no Paraguai sem passar por um aeroporto internacional é ilegal.
Técnicos paraguaios e brasileiros do Dinac (Departamento de Investigação da Aviação Civil) e do DAC estiveram ontem de manhã no local do acidente.
Extra-oficialmente, descartaram a ocorrência de incêndio e explosão antes da queda do helicóptero. O laudo final deve sair em 90 dias.
Depois da perícia, os destroços foram recolhidos e enviados para Assunção de caminhão.
A inspetoria local da Receita Federal não registrou a admissão temporária exigida para a permanência da aeronave em território nacional. Também não houve nenhum registro na segunda inspetoria mais próxima, em Bela Vista, a 130 km de Ponta Porã.
Segundo o inspetor da Receita Carlos Tokunaga, a pena para a infração seria a apreensão do helicóptero.

Outro lado
A direção da TAM, procurada pela Folha para responder à posição da Infraero e da Receita Federal, não foi localizada.

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Empresário não tinha experiência com helicópteros

DO FOLHANEWS

O diretor-executivo do aeroporto de Congonhas, Umberto de Angelis, 59, disse que o comandante Rolim Adolfo Amaro não tinha experiência com helicóptero. Angelis era amigo pessoal de Rolim.
Amigos do comandante disseram que ele comprou há menos de dois meses um helicóptero Esquilo B3. Rolim dizia a amigos que estava pegando aos poucos o jeito com a aeronave.
O helicóptero que Rolim pilotava no momento do acidente é americano, modelo Robinson R-44, da Arpa ZP, empresa do próprio comandante no Paraguai.
O comandante já havia tido dois pequenos acidentes pelo interior do Estado de São Paulo durante sua carreira como piloto e, após vencer um câncer, costumava dizer a amigos que jamais morreria de acidente aéreo. "Morro de tudo, menos de avião", dizia.

Escrito por Jorge Tadeu às 16h32
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Vítima biografava mulher de ditador

São Paulo, terça-feira, 10 de julho de 2001

Vítima biografava mulher de ditador

DA REPORTAGEM LOCAL

A gerente comercial Patrícia Santos Silva, 30, estava envolvida no projeto pessoal do comandante Rolim Amaro de elaborar a biografia de Elisa Lynch, mulher do ditador paraguaio Francisco Solano Lopez (1826-1870).
Rolim e Patrícia estavam indo anteontem para uma reunião sobre o projeto em Assunção (Paraguai) quando o helicóptero em que viajavam caiu, causando a morte de ambos.
Formada em administração de empresas pela Uniban em 1999, Patrícia trabalhava na TAM havia quase dez anos. Foi comissária, atendente em terra, integrou a equipe que elaborou o programa "Fale com o Presidente" e chegou a chefiá-lo.
A experiência à frente do projeto, considerado "a menina-dos-olhos" de Rolim, aproximou a funcionária do empresário. Em 99, Patrícia passou a gerenciar a loja da TAM em São Bernardo do Campo (ABC paulista).
Colegas dos tempos de faculdade lembram que a gerente era muito "farrista", mas extremamente dedicada ao trabalho. "Ela vivia elogiando a companhia e admirava muito o comandante Rolim", conta Maria Helena dos Santos, 42, que se formou com Patrícia.
Alta e loura, Patrícia não tinha namorado. "Ultimamente ela dizia que estava muito só e que seu sonho era encontrar um grande amor", disse Adriana Siqueira de Moraes, 30, que veio de Minas Gerais para o enterro da amiga.
No ano passado, Patrícia havia conseguido comprar um apartamento próximo ao aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo). Antes disso, morava com a mãe, Elza Santos, em São Bernardo do Campo.
O corpo da gerente foi sepultado por volta das 13h30 de ontem no cemitério Jardim das Colinas, em São Bernardo. Ela tinha duas irmãs e um irmão, mas nenhum deles quis dar entrevistas.
Muitos funcionários da área comercial da TAM estiveram presentes ao enterro. A empresa cobriu todas as despesas (os valores não foram divulgados) e manteve um médico e duas assistentes sociais à disposição da família.

Escrito por Jorge Tadeu às 16h30
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Acidente de helicóptero mata presidente da TAM

São Paulo, segunda-feira, 09 de julho de 2001

Empresário, acompanhado de funcionária, pilotava aeronave que caiu no Paraguai

Acidente de helicóptero mata presidente da TAM

JOSÉ MASCHIO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA

O presidente da TAM, comandante Rolim Adolfo Amaro, 58, morreu às 10h20 de ontem, em Pedro Juan Caballero (Paraguai), em consequência da queda do helicóptero que pilotava. A gerente da TAM Patrícia dos Santos Silva, 30, que o acompanhava, também morreu no acidente.
A Polícia Nacional do Paraguai ainda não sabe as causas do acidente. Segundo policiais, o dono da granja onde o helicóptero caiu disse que ele voava em baixa altitude e bateu em uma árvore.
Amaro viajava em um helicóptero Robinson R-44, cor vermelha, com prefixo ZP-HRA. Segundo a assessoria da TAM, a aeronave era do empresário.
A assessoria informou ainda que Amaro e Patrícia Santos Silva, gerente comercial da TAM em São Bernardo do Campo, viajavam ao Paraguai para uma reunião de negócios. O empresário possuía possui uma fazenda em Ponta Porã, de onde o helicóptero decolou.
O chefe da polícia paraguaia em Pedro Juan Caballero, Jovino Cantero Vasquez, disse que foi avisado do acidente por Onorio Vargas, dono da propriedade onde ocorreu a queda.
O acidente aconteceu no vilarejo conhecido como Fortuna Guazú, a cerca de 35 km de Pedro Juan Caballero. Vargas, o primeiro a chegar ao local, disse que os dois tripulantes "já não apresentavam sinais de vida'' quando foram encontrados.
Depois de acionada, a polícia paraguaia enviou ao local dois agentes. Com eles estava uma equipe médica, que diagnosticou as mortes de Amaro e Patrícia por politraumatismo craniano.

Enterro

O velório de Amaro, no Pavilhão das Autoridades do Aeroporto de Congonhas, tinha início programado para as 2h de hoje. O enterro está marcado para as 15h, no Cemitério de Congonhas.
No final da tarde de ontem, a diretoria da TAM apresentou uma nota sobre o acidente.
"A conhecida capacidade de liderança do comandante Rolim Adolfo Amaro e sua permanente preocupação de multiplicar os valores da TAM, no sentido de perenizá-los, asseguram a manutenção de seus compromissos éticos e a excelência de seus serviços, que foram as marcas dominantes da sua vida", diz o texto.

COMO FOI O ACIDENTE

1 - O presidente da TAM, Rolim Adolfo Amaro, sai de sua fazenda em Ponta Porã (MS) com a funcionária da TAM Patrícia dos Santos Silva, e segue para o Paraguai em um helicóptero

2 - Por volta das 10h20, a aeronave bate em uma árvore, segundo o fazendeiro Onorio Vargas, e cai na colônia Fortuna Guazú, no município de Pedro Juan Caballero, já no Paraguai

3 - Minutos depois, o fazendeiro chega ao local e encontra os destroços do helicóptero e os corpos de Rolim e Patrícia, na granja Lucila, em Pedro Juan Caballero

Escrito por Jorge Tadeu às 16h26
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CRONOLOGIA - 2000

ACIDENTE DA TAM / CRONOLOGIA

31.out.96

O Fokker-100 da TAM cai no Jabaquara (SP), após decolar de Congonhas, e mata 99 pessoas

11.nov.96
Centro Técnico Aeroespacial afirma que a queda pode ter sido causada pelo defeito no reverso

6.jul.97
A Aeronáutica reconhece a ocorrência de falha no projeto do avião

12.jul.97
A viúva de David Andrew entra com ação nos EUA contra fabricantes de peças do avião. Northroup Gruman, que fez o reverso, e Teleflex Control System Inc., que faz cabos de segurança, são citadas

11.dez.97
Aeronáutica divulga relatório que isenta a TAM de responsabilidade e afirma que responsável é a fabricante holandesa Fokker, por deficiências no projeto do avião

6.abr.98
Justiça condena a TAM a pagar 12 salários mínimos mensais a Maria Aparecida Gasparian, ex-mulher de Arthur Eduardo Gasparian

25.jun.98
Justiça condena a TAM a pagar R$ 175 mil para Fábia Kaloustian, mulher de Denis Albacete de Souza

14.out.99
Justiça reduz de R$ 500 mil para R$ 300 mil a caução que as fabricantes devem pagar para cada família que move ação contra a empresa

23.nov.99
TAM é condenada a pagar R$ 400 mil para Lídia e Daniel Morishito, mulher e filho do bancário Carlos Yukio Morishito

11.mai.2000
Cerca de 60 famílias fecham acordo com a Justiça norte-americana para recebimento de indenizações

13.mai.2000
A TAM é condenada a pagar 6.000 salários mínimos (cerca de R$ 1 mi) à família da aeromoça Mariceli Pires Carneiro por danos morais.

30.jun.2000
Justiça condena a Northroup Gruman a pagar R$ 2 milhões por danos morais a cerca de 40 famílias. A mesma sentença determinou o pagamento por danos materiais

6.jul.2000
A Justiça condena a Northroup Gruman a pagar R$ 2,3 milhões como antecipação da pensão alimentícia para 15 famílias

Escrito por Jorge Tadeu às 16h00
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Acidente com Fokker da TAM fica sem culpado

São Paulo, quinta-feira, 31 de agosto de 2000

JUSTIÇA

Promotoria pede fim do inquérito do vôo 402 por falta de provas

Acidente com Fokker da TAM fica sem culpado

DA REPORTAGEM LOCAL

As investigações do acidente com o Fokker-100 da TAM, que matou 99 pessoas em 31 de outubro de 1996, chegam ao fim sem ter encontrado culpados.
Com base nessa conclusão, o promotor Mário Luiz Sarrubo entrou com pedido de arquivamento do inquérito na 1ª Vara Criminal do Fórum do Jabaquara.
O pedido ainda não teve parecer do juiz Ricardo Gracco. Procurado pela Folha, Gracco não quis informar quando sairá o resultado.
Porém o fim do processo é esperado tanto pelo promotor quanto pela presidente da Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapava), Sandra Assali, ex-mulher de uma vítima do desastre com o Fokker-100.
A Abrapava surgiu do grupo que ficou conhecido como "viúvas da TAM". "O problema todo desse inquérito foi a sua complexidade e a demora", diz Sandra.
Sandra Assali mantém as acusações que fez durante o período de apuração. "Tudo demorou. O laudo técnico saiu quase dois anos depois, a um mês de expirar o prazo exigido pela Justiça para entrar com ação indenizatória."
Das 99 famílias de vítimas do acidente, 26 foram indenizadas. "Isso porque aceitaram o que foi oferecido pela TAM", afirma Sandra. O valor foi US$ 145 mil.
Para ela, a demora ajudou a empresa aérea a organizar a sua defesa e a instruir os depoimentos.
O promotor Mário Luiz Sarrubo afirma que o pedido de arquivamento se deu "por falta de provas". "Pelo menos na esfera criminal, não foram constatada imperícia ou negligência graves."
No caso da TAM, a acusação dizia respeito à falta de treinamento adequado para a tripulação em caso de acionamento do reverso (espécie de freio do avião) em vôo, que foi apontado como principal causa do acidente.
Tampouco, de acordo com Sarrubo, foi verificado que a fabricante do reverso, a empresa norte-americana Northrop, previa que isso pudesse ocorrer.
"O arquivamento não dificulta as ações indenizatórias. Para mim, há fortes comprovações civis e penais contra as duas empresas", declara Sarrubo.

Outro lado

A assessoria de imprensa da TAM informou que a empresa não questiona a posição judicial. Sobre as indenizações, a assessoria afirmou que os US$ 145 mil ainda estão disponíveis para as famílias que não receberam.

Escrito por Jorge Tadeu às 15h57
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02/10/2006


Segredos de caixa-preta: a TAM e o Detran

São Paulo, Sábado, 20 de Novembro de 1999

Segredos de caixa-preta: a TAM e o Detran*

MARILENE FELINTO (da Equipe de Articulistas)

Todo ano - pelo menos nos últimos quatro anos - acontece um incidente ou um acidente com aviões da TAM. Em outubro de 1996, um Fokker-100 da TAM caiu em São Paulo matando 99 pessoas. Em novembro do mesmo ano, um jato da companhia abortou a decolagem por conta de um alarme falso no painel de controle. A aeronave já corria na pista quando o painel indicou falta de potência nos motores.Em julho de 1997, ocorreu uma explosão a bordo de outro Fokker da TAM, o vôo 283, matando uma pessoa e ferindo outras. Três meses depois, outro incidente: problema na aterrissagem de um Fokker-50 da TAM fechou o aeroporto de Blumenau (SC). Um dos seis pneus do trem de pouso estourou no momento do pouso. Este ano, há uma semana (em 18/11), outro incidente com aeronave da TAM: um "problema técnico" durante o pouso de um Fokker-100, que ia de São Paulo para o Rio, fechou o aeroporto Santos Dumont. Após derrapar na pista, o avião foi parar no gramado. É preciso que se diga que essa sequência de acidentes é absolutamente anormal para uma única companhia aérea em tão curto espaço de tempo - só é normal no absoluto subdesenvolvimento da aviação africana. É preciso tratar o caso da TAM e seus inseguros aviões Fokker com a gravidade que o caso parece ter. Não é esse tratamento, porém, que as autoridades do setor têm dado aos fatos. Pelo contrário, agem como se fosse normal acontecer mais de um incidente por ano com aviões da TAM. Esclarecem muito mal a opinião pública - as explicações para as causas dos acidentes carecem de transparência e agilidade. No mais grave deles, a queda do Fokker em 1996, a Aeronáutica isentou a TAM de culpa, apontando apenas "equívocos" da empresa aérea. Um dia depois do incidente da semana passada, o DAC (Departamento de Aviação Civil), informava, numa decisão autoritária e antidemocrática, que as caixas-pretas do avião já tinham sido abertas e decodificadas, mas que o conteúdo delas não seria revelado, seria mantido em sigilo até a conclusão da investigação. Sigilo para quem? Por quem? Por quê? Ora, então a nós, usuários e pagantes das passagens de preços exorbitantes, só nos resta esperar o próximo acidente? O direito do cidadão à informação (rápida e transparente) é um dos princípios fundamentais da democracia.O sigilo só contribui para a reincidência em "incidentes", para confundir a memória da opinião pública. O sigilo dá à TAM o tempo necessário para se recompor, para encher linguiça na montagem de seu show business personalista (centrado na figura de seu dono e "comandante" Rolim), de sua propaganda suspeita.

* Apenas o trecho sobre a TAM. 

Escrito por Jorge Tadeu às 13h44
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Avião da TAM se acidenta no Rio

  

Jornal do Commercio
Recife - 19.11.99
Sexta-feira

DERRAPOU
Avião da TAM se acidenta no Rio

Um acidente com o Fokker 100 da TAM ocorreu ontem às 8h44 ao aterrissar no aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. A aeronave derrapou na pista e foi parar no gramado ao lado, a cerca de 100 metros da baía da Guanabara, onde estacionou com a asa esquerda encostada no chão e o trem de pouso traseiro do mesmo lado quebrado. Não houve feridos. A caixa preta do avião, com a gravação das conversas do piloto com a torre de comando, deve ser ouvida hoje.

O vôo 904, que saiu de São Paulo às 7h50, transcorreu normalmente, segundo os passageiros, até o momento da aterrissagem. De acordo com o DAC (Departamento de Aviação Civil), órgão fiscalizador do setor, havia 106 pessoas a bordo - 101 passageiros e cinco tripulantes.

A TAM informou que os passageiros eram 107. O DAC classificou o episódio de "incidente grave" e informou que não há registros anteriores sobre incidentes ou acidentes com a mesma aeronave.

Em nota oficial divulgada na tarde de ontem, o DAC diz que "houve fratura do trem de pouso esquerdo, seguida de perda do controle direcional da aeronave e a conseqüente saída da pista pela lateral esquerda". A perícia está sendo conduzida pela Divisão de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, do DAC, e pela empresa.

Os passageiros desembarcaram do avião com o auxílio da equipe de emergência do Santos Dumont, composta por 80 pessoas, incluindo bombeiros. Dois ou três passageiros saíram pela porta emergencial traseira, segundo a TAM.

A Infraero, que administra o aeroporto, informou que a equipe de emergência havia passado por uma simulação um mês antes. Alguns passageiros estranharam o fato de não ter sido usado escorregador para descer do avião, mas a TAM informou que a aeronave estava fora de perigo e que não era preciso fazer uma evacuação de emergência.

Passageiro demora para sair do avião

da Sucursal do Rio e free-lancer para a Folha

Depois da parada total do avião, os passageiros do Fokker-100 acidentado ontem de manhã no aeroporto Santos Dumont contaram ter esperado cerca de dez minutos para sair da aeronave. "Para quem está lá dentro, é uma eternidade", disse o engenheiro Evaldo Nunes David, 44, que estava com três colegas de trabalho da CPTM, empresa de transporte público de São Paulo. Os executivos vieram para uma reunião de negócios no Rio. David teve de ser carregado pelos bombeiros para sair do avião porque a porta traseira por onde desembarcou estava muito alta para alcançar a escada, já que a aeronave estava tombada. Seu colega de trabalho, o engenheiro eletrônico Osvaldo Pazzianotto, 41, disse ter ouvido um barulho muito forte assim que o trem de pouso tocou o chão. "As pessoas começaram a ficar assustadas, mas parou muito rápido. "Segundo relato dos passageiros, não houve pânico, mas um clima tenso e de ansiedade. "Para sair, foi um sufoco porque ficamos com medo da possibilidade de explodir", disse Pazzianotto. Ele considerou falha a atuação do pessoal de bordo e registrou formalmente sua queixa no DAC. "Ninguém falava nada. O comandante deu um só aviso, pelo sistema de som, e disse que estava tudo bem, muito ofegante, mostrando nervosismo, enquanto todo mundo pedia para abrir as portas de emergência. "Alceu Segamarchi, 41, também funcionário da CPTM, acredita que o piloto calculou mal a aproximação do solo. "O comandante mandou a gente ficar no avião. Não sei se esse é o procedimento certo, mas, para quem estava lá dentro, o melhor era sair correndo", disse.Ele também reclamou da demora do atendimento do pessoal de bordo e estuda a hipótese de acionar judicialmente a TAM. Segamarchi contou que já imaginava uma aterrissagem dentro da baía. "Eu já estava me preparando para sair do avião nadando."Segundo a TAM, o procedimento da tripulação foi correto.

TAM descarta falha mecânica do Fokker

O vice-presidente técnico operacional da TAM, o engenheiro Ruy Amparo, descartou falha mecânica no acidente com o Fokker 100 da empresa ontem. Segundo Amparo, o trem de pouso da aeronave foi submetido a "uma carga acima do normal no momento da aterrissagem", indicando que poderia ter havido imperícia do piloto no momento de tocar o solo.

Escrito por Jorge Tadeu às 13h42
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A reviravolta das viúvas

  25 de outubro de 1999

Superação

A reviravolta das viúvas

Mulheres que perderam os maridos na queda do avião da TAM, em 1996, reconstroem suas vidas

Carlos Henrique Ramos

Foto: PITI REALI

Heloísa Gouvea, 43 anos, tinha poucas preocupações até a manhã de 31 de outubro de 1996. Casada e feliz, administrava a educação dos filhos com zelo. Não se preocupava nem mesmo com a saúde financeira da casa, cuja responsabilidade era do marido, Luiz Fernando, alto executivo de um banco estrangeiro. Aquele conto de fadas, no entanto, desmoronou quando o Fokker 100 da TAM explodiu nas ruas do bairro paulistano do Jabaquara, zona sul da cidade. Luiz Fernando era uma das 99 vítimas que estavam no vôo 402, que ia de São Paulo para o Rio de Janeiro. Hoje em dia, quase três anos depois da tragédia que sensibilizou o País, a ex-modelo, de 1,71m e 61 quilos, mãe de Roberta, 17, Fernando, 16, e Camila, 10, literalmente dançou para superar a morte do companheiro. Bailarina profissional desde os 15 anos, estudou em Nova York, nos Estados Unidos, para formar-se em dança moderna. Hoje em dia, discursa com orgulho sobre a walk dance - uma técnica criada por ela, que une caminhada com dança. Helô, como gosta de ser chamada, é um poço de energia. Mantém uma academia própria, no bairro de Pinheiros, dá aula em outros dois locais e ainda participa de convenções pelo Brasil. "Não posso ficar parada", diz.

Curiosamente, o método da walk dance foi desenvolvido nos dias seguintes à morte do marido, sem que Helô percebesse. Naquela época, andava "sem rumo" pelas alamedas do Jardim Paulista, região nobre da capital paulista, para supe-rar o trauma da catástrofe. Dessas caminhadas, aliada com a paixão que sente pela dança, surgiu essa espécie de aeróbica que leva sua assinatura. "A dança ajudou a me levantar emocionalmente." A bailarina namora há dois anos. Mesmo apaixonada, confessa que ainda dói fazer o "videoteipe dos melhores momentos" do passado. "Os dias são longos, mas tenho energia e disposição de sobra para correr atrás da felicidade, por mais que seja difícil", revela.

A viúva Fátima Aparecida Vargas também corre atrás da felicidade. A sua história é muito parecida com a de Helô. O marido, José Wilson Nogueira, que tinha um salário mensal de R$ 4,5 mil, era o ponto de equilíbrio da casa. Ele também estava no avião da TAM. A mãe de Camila, 16, e Vinícius, 12, juntou os pedaços com a ajuda dos filhos para dar a volta por cima.

 

Fátima, uma ex-bancária e sem formação superior, com apenas o velho diploma de colegial na gaveta, não se curvou diante das dificuldades com a morte do parceiro, gerente de uma multinacional da área de telecomunicações. Depois de superar a depressão, foi à luta para arrumar um emprego, apesar dos dez anos longe do mercado de trabalho. Para atualizar o currículo, fez curso de digitação. Começou a aprender inglês, mas a pensão de R$ 1 mil que recebe mensalmente a impediu de continuar. "A educação dos filhos é mais importante", admite.

 

Ainda sem emprego, Fátima estuda outras opções para equilibrar o orçamento doméstico. Como não dispõe de capital para abrir um negócio próprio, procura um parceiro que invista numa representação de venda de lingerie. Ela já tem até mostruário de calcinhas e sutiãs. Diariamente, a ex-bancária coloca as peças íntimas dentro de uma bolsa e sai atrás de cliente, de porta em porta, oferecendo os produtos para lojas. "Recuperei minha atitude", garante. "Já não faço mais as coisas como se fosse um robô."

 

A energia que ilumina os passos de Helô e Fátima andou faltando à mineira Veneranda Simões de Almeida, 41 anos, nos 12 meses depois do 31 de outubro de 1996. A morte de Luiz Carlos Simões de Almeida, executivo de uma empresa de bebidas, mudou a rotina daquela mulher que vivia debaixo das asas do marido. "Sempre fui superprotegida", afirma. "Sei que era fútil, pois minha vida se resumia a ir ao shopping, comprar roupa e freqüentar academia", relembra a mãe de Lívia, 19, e Lucas, 14. "Depois de enfrentar essa tragédia, descobri que sou um ser pensante, que tenho condições de aprender alguma coisa."

Bem-humorada, Veneranda procura dar um novo sentido a sua existência. Depois de concluir o curso de Comunicação Social, Veneranda agora quer enfrentar a concorrência no mercado de trabalho, mesmo sem nunca ter tido um emprego, de cabeça erguida. No edifício onde mora, no bairro de Moema, na zona sul paulistana, andou sondando alguns amigos publicitários. Até agora, não obteve sucesso. "Tenho consciência de que meu currículo é pobre", diz, resignada. Com a cara e a coragem, foi procurar emprego em estabelecimentos comerciais. Fez várias fichas para o cargo de vendedora em lojas de decoração e roupas nos shoppings em que freqüentava. A esperança é a Internet. Com o auxílio de Lucas, colocou seu currículo na rede mundial de computadores. Por isso, pagou R$ 5. "Estou descobrindo meu potencial."

Escrito por Jorge Tadeu às 12h50
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